TARIFA DE LUZ FOI REAJUSTADA EM 20,17% EM ABRIL; ÁGUA SOBE 3,5% EM JUNHO
Enquanto a inflação registra baixas recordes, a população é surpreendida com o anúncio do aumento de valores cobrados por produtos e tarifas controlados pelo próprio governo. Sem entender a relação da realidade das contas mensais, como água e luz, e os índices oficiais de preços, a população se pergunta: que baixa inflação é essa? Somente nas últimas semanas, os francanos foram avisados dos aumentos da conta de energia elétrica e de água. Fora isso, já pagam caro pelos combustíveis e gás de cozinha. Assim, fica praticamente impossível entender a lógica dos índices oficiais. Mas a explicação está mais perto do que se possa imaginar, ela está justamente em nossos bolsos. A frase que comumente falamos ou ouvimos - “Tudo sobe, menos o salário” - ajuda a compreender a atual situação econômica brasileira. Mas, antes, é preciso uma pequena correção na afirmação: “Quase tudo sobe, menos o salário”.
Os consumidores da CPFL Paulista em Franca já devem começar a receber as contas de luz com o aumento de 20,17%, autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e que começou a vigorar no último dia 8 de abril. O acumulado de 12 meses da inflação oficial em abril ficou em 2,76%, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O reajuste de mais de sete vezes que a inflação atinge consumidores de baixa tensão - caso das unidades residenciais, comerciais e de serviços. Consumidores de alta tensão, como as indústrias, por exemplo, tiveram suas contas reajustadas em 11,11%. O disparate entre aumento e inflação está no fato de o reajuste de agora na conta de luz fazer parte do quarto ciclo de revisão tarifária, que visa a manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos com as distribuidoras, o que acontece de quatro em quatro anos. Mas para o consumidor, o que vale mesmo é que sua conta está 20% mais cara.
Se a luz já subiu, a água também subirá. A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico) recebeu autorização da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) para, a partir do dia 10 de junho, reajustar sua tarifa em 3,5%.
Voltando à frase do início deste texto, é justamente por “tudo subir, menos o salário” que o cidadão perde seu poder aquisitivo. Com menos dinheiro e com tudo mais caro, ele gasta menos. A recessão dos últimos anos arrasou o poder de compra dos brasileiros, que passaram a consumir menos, forçando a queda no preço de alimentos, principalmente. E são os alimentos que possuem maior peso no cálculo da inflação, daí a explicação para os baixos índices, mesmo com os preços de produtos e serviços controlados pelo governo subindo. O atual ambiente inflacionário é patrocinado por “quase tudo subir, menos o salário”.
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