Trabalhador francano estuda mais, mas salário da maioria não melhora


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Movimentação no Centro de Franca: especialista defende diversificação da economia da cidade
Movimentação no Centro de Franca: especialista defende diversificação da economia da cidade
O número trabalhadores francanos com nível superior ou pós-graduação praticamente dobrou, na última década. Apesar disso, a maior parte deles ainda recebe um salário que não ultrapassa os dois salários mínimos, cerca de R$ 1,9 mil. A constatação é da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, que toda empresa em atividade é obrigada a preencher com os dados de seus empregados todos os anos. 
 
Em 2006, menos de 10% das pessoas que tinham carteira registrada na cidade tinham concluído o ensino superior. Dos 68.447 trabalhadores em Franca, apenas 6.642 tinham algum curso superior, mestrado ou doutorado. Dez anos depois, em 2016, com as facilidades de financiamento para o ingresso no ensino superior e o aumento da oferta de cursos e vagas na cidade, o total de trabalhadores com grau superior praticamente dobrou. Hoje são 12.492 pessoas especializadas atuando no mercado de Franca, o que corresponde a 14,7% da massa trabalhadora. 
 
O estudo da Rais também mostra que o número de trabalhadores francanos sem o ensino fundamental completo caiu pela metade. Em 2006, a cidade tinha 1.904 empregados considerados analfabetos ou semianalfabetos. Uma década depois, esse número diminuiu. Hoje os trabalhadores sem estudo correspondem a 863 pessoas. 
 
Para o professor universitário e economista Hélio Braga Filho, os números mostram que as pessoas em Franca estão se especializando e, cada vez mais, preocupadas em melhorar suas qualificações profissionais. “Os números da Rais mostram que houve uma evolução na qualificação da mão de obra da cidade.”
 
Salário em queda
O problema é que os ganhos dos trabalhadores, segundo os dados da Rais, não acompanharam a evolução da qualificação. Os trabalhadores hoje ganham menos do que há dez anos. 
 
Em 2006, o total de empregados que ganhavam dois salários mínimos ou menos correspondia a 55,9%. Hoje, de cada dez trabalhadores registrados na cidade, sete ganham dois salários ou menos, o que equivale a R$ 1,9 mil. 
 
O levantamento ainda mostra que também diminuiu o número de empregados ganhando mais de 10 salários mínimos. Em 2006, eram 1.320 pessoas nesta faixa de renda. Hoje são 992. 
 
Uma das explicações para esse fenômeno, segundo o economista, é o fato de a grande maioria das empresas da cidade ter pequeno ou médio porte. “Essas empresas não têm condição de pagar salários muito altos. Então, ainda que o trabalhador se especialize, ele continua ganhando mal. São raras as empresas da cidade que têm plano de carreira, por exemplo.”
 
Outro fator que acaba limitando as possibilidades é que as empresas de maior porte estão justamente no setor industrial, que vem perdendo peso no PIB (Produto Interno Bruto), que mede a capacidade de geração de riquezas. 
 
Por fim, o professor ainda aponta uma outra razão. É que, em Franca, mesmos setores que normalmente têm faixa de remuneração maior, como o comércio e os serviços, estão firmados em cargos de baixa remuneração como atendente de loja, intermediação de crédito e telemarketing. 
 
Futuro
Para mudar o quadro, o economista defende investimentos na diversificação da economia e em setores que tenham maior valor agregado, como é o caso da área de tecnologia.
 
Braga disse que um dos efeitos negativos da baixa remuneração é o fluxo negativo de profissionais especializados. “Muitos jovens não estão encontrando boas oportunidades de trabalho e remuneração em Franca e acabam deixando a cidade em busca de melhores perspectivas. Isso é muito ruim para a economia local”, alerta o economista.

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