Qual o limite para as mortes no trânsito?


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Até o último sábado, vivemos 132 dias deste trágico ano de 2018. Foram 19 semanas em que o trânsito de Franca não deixou de matar. A letalidade assombrosa chega à absurda média de uma morte a cada 6,3 dias. Os números dizem que as ruas, avenidas e rodovias que cortam o município tiram mais de uma vida por semana. Autoridades e entidades tentam, das mais variadas formas, frear as tragédias sob rodas. Mas a sequência de mortes, que insistem em nos perseguir, não encontra um obstáculo. Assistimos dia após dia a jovens, idosos, crianças, pais e mães de família, estudantes, trabalhadores morrendo em nossas vias. E parece que nada acaba com essa violência macabra que nos acompanha em nossos carros, motos, caminhões, bicicletas... Quando isso terá um fim?
 
A mais recente vítima é um churrasqueiro de 50 anos. Antônio Mioto foi atropelado na noite do último sábado, na rodovia Cândido Portinari. Deixava o restaurante do posto Paineirão, onde trabalhava. De bicicleta repetia o trajeto de sempre, rumo a sua casa, quando foi atropelado. Trabalhava na mesma empresa há 22 anos. Agora, engrossa as estatísticas policiais como mais um trabalhador levado pela violência do trânsito francano. “É um momento de muita dor, e é inacreditável”, resumiu a filha do churrasqueiro Maiara Mioto, em entrevista à rádio Difusora. Inacreditável como também é a matança em nossas ruas, causadas principalmente por acidentes com motos. 
 
Das 21 pessoas que morreram em decorrência das tragédias no trânsito de Franca, 12 eram motociclistas. As motocicletas fazem mais vítimas na cidade que as armas de fogo. De acordo com reportagem do Comércio, nos primeiros três meses deste ano, a cidade havia registrado seis mortes decorrentes de latrocínio ou homicídio e outras dez apenas decorrentes de acidentes sobre motos. Pedestres e condutores ou passageiros de carros ou caminhões vêm na sequência. Mioto é o único ciclista até agora.
 
Campanhas são realizadas para evitar as mortes. A Polícia Militar, a Prefeitura e o Movimento Mulheres do Brasil desenvolvem em Franca um trabalho direcionado especificamente aos motociclistas. Neste mês, acontece em todo o País, a Campanha Maio Amarelo, cujo objetivo é justamente chamar a atenção da população para o alto índice de mortes no trânsito. A Prefeitura também realiza em Franca um trabalho de orientação de motoristas e pedestres sobre o uso correto das faixas e lombofaixas. Em outra frente, novos dispositivos de segurança e equipamentos de sinalização são instalados pela cidade. A Polícia reforça a fiscalização. As autoridades reforçam as punições para infratores...
 
Mas nada, absolutamente nada, parece ter efeito em nossas vias. O que mais será necessário ser feito ou acontecer para que os veículos voltem a ser meios de transportes e deixem de ser armas?

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