Dois anos do governo Temer


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‘É urgente pacificar a Nação e unificar o Brasil. É urgente fazermos um governo de salvação nacional.” A afirmação é do presidente Michel Temer (MDB), no dia 12 de maio de 2016, quando assumiu a presidência da República, no lugar da ex-presidente Dilma Rousseff, então afastada por 180 dias do cargo - viria a sofrer o impeachment meses depois, em votação pelo Senado Federal. Dois anos se passaram e Temer não pacificou nem unificou o País, não salvou a Nação. De acordo com levantamento da agência de notícias Folhapress, das 19 propostas listadas pelo emedebista em seu discurso de 28 minutos, na posse de seus ministros, apenas duas foram cumpridas integralmente até agora, sendo sete ignoradas e outras dez executadas parcialmente, em maior ou menor grau. O que Temer conseguiu em dois anos de governo foi acumular uma rejeição recorde, maior inclusive que a de sua antecessora e de Fernando Collor de Mello, que sofreram o impedimento. E pensar que no mesmo discurso de há dois anos, o presidente afirmou: “O povo precisa colaborar e aplaudir as medidas que venhamos a tomar.” 
 
As promessas cumpridas por Temer estão no campo econômico. A redução da inflação e o “estancamento do processo de queda livre na atividade econômica”. A queda da variação de preços veio graças ao ritmo lento com o que o País se recupera de sua maior recessão histórica. Assim como também é histórico o baixo nível dos índices de inflação atuais, decorrentes de uma economia que patina, atolada na lama do desemprego. O emedebista fez ser aprovado no Congresso demandas antigas de ruralistas e industriais, como a Reforma Trabalhista. Sob o pretexto de estimular a geração de empregos, a reforma acaba de completar seis meses, e seus efeitos estão longes de serem sentidos pelos mais de 13 milhões de brasileiros que buscam um posto no mercado de trabalho formal.
 
No campo político, Temer viu sua base esfacelar-se, perdeu o apoio de seu maior aliado, o PSDB. Desde novembro do ano passado, com a aprovação da Reforma Trabalhista, nada mais se votou de importante no Congresso Nacional. Sem apoio, o presidente desistiu, até mesmo, da Reforma da Previdência, uma de suas maiores bandeiras. Inventou uma intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro. Intervenções proíbem mudanças na Constituição e, assim, a PEC da Previdência foi deixada para depois. Com a ação no Rio, também pretendia ganhar popularidade. Mas foi em vão. Até hoje os criminosos continuam mandando no Estado fluminense.
 
Temer chega ao seu segundo ano, esperando o fim de seu mandato. Afogado na impopularidade e nas denúncias de corrupção que pensam sobre ele, não há mais nada a se esperar nestes próximos sete meses e meio que faltam para o fim, a não ser aguardar pelo próximo presidente.

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