Mãe...
Única ponte entre o mistério e a vida,
Chama acesa que nunca se finda.
Corpo, alma e coração.
Lágrimas de amor e devoção.
Ser mãe é ter o sexto sentido aguçado.
São olhos que enxergam no escuro,
Ouvidos que escutam com barulho,
Boca que fala a língua dos anjos,
Mãos que curam qualquer desengano.
Ser mãe é aceitar a fragilidade do agir,
A humanidade do parir
E a verdade de cada queda d’água.
É ser feliz com um simples beijo de dormir
E com a partida de quem espera a chegada.
Ser mãe é receber o dom da leveza
Do cuidar, do nutrir e do amar.
É saber ser humanamente errante
Na arte de educar.
É aceitar ser fora da caixa,
Fora da casinha,
Fora da linha.
É ser louca por pura lucidez,
É gritar por um talvez,
É contar até três,
É carregar a culpa do dia, tudo outra vez.
Ser mãe é usar a bolsa da coragem,
A sandália da humildade
E a capa invisível da sinceridade.
É surpreende-se com um amor sem fim,
É dizer à vida um sim.
É o despertar-se de um sono profundo,
É levar aquele tapa na cara do mundo.
Ser mãe é assim:
Livre para existir
Mas não tão livre assim para sorrir.
É que o seu sorriso somente se abre
Ao ver outro se abrir.
É que o pôr do sol fica ainda mais intenso
Fora da caixa
Onde há liberdade de sentir.
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