Açougueiro que matou mulher pega doze anos de prisão


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O réu Bernardino Ribeiro, durante julgamento. Acusado foi a júri popular pela morte da mulher, em dezembro de 2016
O réu Bernardino Ribeiro, durante julgamento. Acusado foi a júri popular pela morte da mulher, em dezembro de 2016
Dirceu Garcia e Marcella Murari
DA REDAÇÃO
 
 
Doze anos. Esta é a pena que o açougueiro Bernardino José Ribeiro, de 67 anos, deve, inicialmente, cumprir em regime fechado por assassinar a mulher, Amarinilza Maria Custódio, 46, a golpes de bengala em dezembro de 2016. A sentença foi proferida no Salão do Júri do Fórum de Franca, nessa quinta-feira. 
 
Após um início rápido em que não foram ouvidas testemunhas, o juiz José Rodrigues de Arimatéa ouviu o acusado, que alegou inocência em meio a um depoimento confuso e em que não conseguiu responder claramente o que era perguntado pelo juiz ou do promotor.
 
Em sua versão, Bernardino contou que, antes do crime, viveu por oito meses no abrigo provisório e foi morar em uma casa de três cômodos alugada no City Petrópolis para formar família com a vítima, com quem havia convivido no albergue público, nos últimos quatro meses em que esteve lá. O acusado alegou inocência e tentou desqualificar a vítima, dizendo que teria flagrado traições de Amarinilza por duas vezes - primeiro com um vizinho mais novo e, em uma segunda vez, com dois homens. Depois, tentou alegar que “achou” o corpo dela ferido após uma queda e que também havia drogas ao lado da cama.
 
Classificando o crime como “cruel”, o promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro disse que, após espancar a vítima, Bernardino ainda a teria a arrastado para o quarto e feito sexo com o corpo já desfalecido. “Provas periciais mostraram quantidades substanciais de sangue nas roupas, tanque, chão e paredes da cozinha”, disse. 
 
Odilon também reforçou para os jurados as contradições do réu em depoimentos diferentes e que vizinhos deram depoimentos dizendo que havia um histórico de abuso de álcool e violência entre o casal. “Apontar a vítima que não pode mais falar como responsável pelo crime é muito fácil, mas o tempo passado entre as supostas traições e o homicídio descaracterizam tanto violenta emoção, quanto de legítima defesa. Ele resolveu matar a vítima, planejou e tentou disfarçar o crime, mas acabou descoberto na investigação.”
 
O veredicto
Às 12h15 foi lida a sentença. Bernardino foi condenado por homicídio duplamente qualificado e condenado a 12 anos de reclusão.
 
O promotor disse que achar pequena a pena mínima para esse crime e que irá avaliar, nos próximos dias, se entrará com recurso. Do Fórum, o açougueiro seguiu para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pontal, onde está preso desde o crime. Dali, nos próximos dias, deve ser transferido para uma penitenciária.

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