Há pouco mais de um mês, a filiação do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa ao PSB encheu de alento uma parcela da população desiludida com a classe política nacional. Barbosa aparecia no cenário eleitoral para a presidência da República como o otherside, o novo, o diferente, o “não-político”. Figurou nas pesquisas de intenção de votos com cerca de 10%. Foi alçado candidato pela mídia, afinal não havia motivos - se não a intenção de disputar o pleito - para se ligar a uma agremiação política logo no último dia do prazo para participar das eleições de outubro. Mas tudo veio abaixo - a especulação da imprensa e a esperança de parte dos brasileiros - com uma postagem do ex-presidente do Supremo, no Twitter, na última terça-feira. Barbosa descartou se candidatar ao Palácio do Planalto.
“Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal.” O pequeno texto do ex-ministro foi uma pá de cal nos entusiastas de uma candidatura alternativa a presidente. E, ao mesmo tempo, uma injeção de ânimo nos velhos políticos que vislumbram o cargo de chefe do Executivo Nacional. Joaquim Barbosa poderia não vencer a eleição, mas possuía amplo potencial para progredir nas pesquisas, já partindo dos 10% das intenções de votos. Seu crescimento nas pesquisas significaria o enfraquecimento de outras candidaturas, tanto de esquerda como de direita. O jurista era visto como uma figura imune à polarização que toma conta do País. Representava a renovação política que tanto o País almeja.
Barbosa foi indicado a ministro do Supremo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E foi justamente em um julgamento que tinha o Partido dos Trabalhadores como principal alvo, o Mensalão, que ganhou popularidade. À época, Barbosa presidia a Corte Suprema. Políticos processados e - mais - condenados foram motivos para deixar estupefata uma Nação inteira. Passado o choque, os brasileiros se firmaram na Justiça como pilar de um novo País.
O ex-ministro, conhecido por seu temperamento forte, em um provável governo, certamente enfrentaria resistência - como sofreu dentro do próprio partido após a filiação -, seria engolido pelos velhos políticos. Todos os presidentes brasileiros que não tiveram apoio do Congresso ou renunciaram ou sofreram impeachment. Joaquim Barbosa não seria o “salvador da pátria”, mas sua decisão de anteontem enterra por vez a possibilidade de o novo vencer nestas eleições. Ainda levará, pelo menos, mais quatro anos para o Brasil se reinventar.
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