Resgate da cidadania


| Tempo de leitura: 2 min
O Brasil, do Sul ao Norte, do Leste ao Oeste, aplaude, com entusiasmo, a operação Lava Jato, uma vez que ela tem a pretensão de acabar ou pelo menos amenizar a corrupção que graça em todas as esferas de poder.
 
Há que se reconhecer, no entanto, a ocorrência de algumas arbitrariedades jurídicas no seio da operação, praticadas por algumas Autoridades Judiciárias, membros do Ministério Público e até Agentes da Polícia Federal, que reclamam correções. No entanto, na ótica de muitos, elas são toleráveis, pois “não se faz omelete sem quebrar ovos”.
 
Mas ela, além da faxina que tem procurado realizar no setor público do país, tem deixado, também, outro importante legado, que talvez, a longo prazo, seja até mais importante do que o de tentar passar o Brasil a limpo.
 
Trata-se do engajamento da população na política e principalmente no interesse pelas decisões judiciais, especialmente daquelas que são prolatadas pela mais alta Corte de Justiça do país.
 
Num passado recente, apenas os operadores do Direito sabiam o nome dos onze Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Nos dias atuais, a grande maioria da população não só sabe o nome deles, como também como eles têm votado nas questões jurídicas mais intrincadas e que estão ligadas à própria operação. Os meios de comunicação, especialmente a TV Justiça, cumprem importante papel nessa conscientização popular.
 
Recentemente, em São Paulo, pedi a um motorista de taxi que me conduzia ao Tribunal de Justiça de São Paulo, para escalar o time titular da seleção brasileira que irá à Copa da Rússia. Ele, embora tenha se declarado amante do futebol, não conseguiu fazê-lo na sua totalidade. No entanto, quando solicitei os nomes dos Ministros da atual composição do STF, ele o fez sem titubear, inclusive informando qual, dentre todos, é o Ministro que lhe inspira mais confiança.
 
Evidente que a operação Lava Jato está trazendo um resgate de cidadania para um povo que, até bem pouco tempo, sequer se lembrava em quem havia votado nas últimas eleições realizadas, tamanho o desinteresse.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários