Médica acusada de erro é afastada da Santa Casa


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A bebê Isabelly Fernanda da Silva
A bebê Isabelly Fernanda da Silva
Um casal de sapateiros procurou a Polícia Civil, na última segunda-feira, após a morte da filha de apenas 1 ano e 3 meses, ocorrida no fim de semana. Eles acusam uma médica da Santa Casa de omitir socorro à filha, a pequena Isabelly Fernanda da Silva, que deu entrada no hospital no último sábado e morreu horas depois. 
 
Ainda tentando assimilar a dor da perda da filha, a sapateira Jéssica da Silva recebeu a reportagem do Comércio em sua casa, no Jardim Martins, e narrou as últimas horas ao lado da filha, que sofria de atresia de esôfago e, por isso, se alimentava por sonda. 
 
“Levei a Isabelly até o Pronto-socorro Infantil, na noite de sábado, porque a barriguinha dela estava muito inchada e ela chorava de dor. Já sabíamos o que poderia ser feito e que seria na Santa Casa, e logo a médica do PS nos acompanhou até lá. Já era madrugada de domingo. Porém, colocaram minha filha na vaga zero e não deram nenhum respaldo. Ela sequer foi para a ala infantil e teve um atendimento. A médica plantonista não a examinou, nem olhou minha filha”, contou.
 
Ainda de acordo com Jéssica, apesar de todos os apelos feitos para que a médica atendesse Isabelly, a mulher não teria ido até onde a criança estava. A “saga” durou da meia-noite até 4 horas, quando a menina não resistiu e morreu. “Os enfermeiros me deram um cobertor, porque ela estava gelada. Mas ninguém a examinou. Minha filha foi ficando com as mãos e pezinhos roxos. Estava ficando cada vez mais fria e, quando a levaram a uma salinha para enfim atendê-la, já era tarde demais. Ela já estava morta.”
 
Jéssica da Silva e Danilo Rogério da Silva mostram o BO da morte da filha de 1 ano e 3 meses - Foto: William Borges/Comércio da Franca
 
Jéssica e o marido, o sapateiro Danilo Rogério da Silva, foram até o 1º Distrito Policial, onde um boletim de ocorrência de homicídio culposo foi registrado. Eles disseram que também acionaram o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) para cobrar atitudes diante da conduta da médica. “Ela não deu nenhuma atenção à nossa filha. Deixou ela morrer. Sei que nada trará a Isabelly de volta, mas essa médica precisa ser responsabilizada. Omitiu socorro e agora estamos sem nossa pequena”, disse o sapateiro. 
 
Em nota, a Santa Casa disse que Isabelly foi encaminhada de vaga zero para ser avaliada “devido a um desconforto abdominal”. “O atendimento foi realizado de acordo com os critérios regulatórios. Devido o desfecho ter sido desfavorável, o caso foi encaminhado à Comissão de Óbitos da Santa Casa para análise e tomada de providências. Esclarecemos que a comissão, instituída conforme determinação do Conselho Federal de Medicina, analisa todos os óbitos ocorridos na instituição.”
 
O diretor clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula, informou que a médica foi afastada. 
 
 
Santa Casa afasta médica e promete análise minuciosa do caso
 
O diretor clínico da Santa Casa, Marcelo de Paula, está em São Paulo acompanhando uma comitiva de diretores da instituição. Na noite de ontem, em entrevista por telefone ao Comércio, disse que está acompanhando o caso. Segundo ele, uma equipe de especialistas vai fazer uma análise minuciosa para saber se houve alguma falha no atendimento. Enquanto esse levantamento é feito, a médica responsável pelo atendimento à criança foi afastada da Santa Casa. 
 
Mesmo antes de qualquer conclusão oficial, Marcelo admite que houve uma demora no atendimento à criança, uma espera de cerca de 1h50 minutos. Na sua opinião, o atraso não teve implicância na morte de Isabelly. 
 
“Sempre que acontece uma morte em condições atípicas, fazemos o levantamento criterioso de todos os procedimentos para avaliar se houve erro. O caso será avaliado pela Comissão de Óbito e, enquanto essas análises são feitas, a médica permanece afastada”, disse. 
 
O diretor disse que, se for constatada falha no atendimento, serão tomadas as medidas cabíveis contra todos os profissionais envolvidos.

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