Um mês preso e 'candidatíssimo'


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Nessa segunda-feira, completou-se um mês da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo preso e impossibilitado de disputar as eleições presidenciais de outubro, por conta da Lei da Ficha Limpa, o petista afirmou ontem que continua “candidatíssimo”. Através de interlocutores que conseguem autorização para visitá-lo na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), o ex-presidente propaga seus discursos aos militantes petistas. Este último foi transmitido pelo teólogo Leonardo Boff, que teve seu encontro autorizado na condição de visita espiritual. Se realmente rezaram, não se sabe, mas o recado de teor político-eleitoral foi repassado aos correligionários e à imprensa. “Lula mandou recado dizendo que é candidatíssimo e que só vai renunciar à candidatura no dia em que o Moro trouxer uma única prova de que ele é dono do tríplex.”
 
Lula se entregou à Polícia Federal na noite de 7 de abril, dias após se manter enquartelado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo (SP). A ordem de prisão emitida pelo juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná, foi cumprida após um ato ecumênico em memória à ex-primeira-dama Marisa Letícia se transformar em comício para o viúvo. Há um mês a religião já tinha sido usada como pretexto para o ex-presidente discursar. De lá para cá, Lula, mesmo preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela Operação Lava Jato, no caso do tríplex do Guarujá (SP), continua liderando pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto.
 
Lula e o PT insistem em seu nome, não apenas pela liderança, mas também por falta de um substituto. O partido diz que não desistirá da candidatura, e pode inclusive registrá-la, para vê-la cassada dias ou meses depois. A Lei da Ficha Limpa proíbe pessoas condenadas por um órgão colegiado - mais de um juiz - de serem candidatas a cargos eletivos. Lula teve sua ficha suja confirmada ao ser condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre (RS), em janeiro deste ano. Enquanto promete, no mínimo, tumultuar a campanha eleitoral, Lula insiste no discurso de “preso político” para fugir da pecha de criminoso, se comparando a Nelson Mandela e Gandhi, por exemplo.
 
Caberá ao TSE julgar o registro de candidatura do ex-presidente. Caso isso aconteça após as eleições, Lula poderá disputar as eleições normalmente, e caso seu registro seja indeferido, seus votos são considerados nulos. Para evitar esse imbróglio, a Justiça terá de agir com celeridade. O julgamento tem de acontecer antes do pleito, marcado para 7 de outubro, sob risco de o processo judicial transformar-se em trunfo para os petistas. Como explicar a um eleitor que o voto dado por ele a um candidato com nome e foto na urna eletrônica será anulado? Será um prato cheio para os discursos de “perseguição” e “golpe” de Lula e seus seguidores.

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