Mãenacional


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Laura e Raquel encontram-se na sala de espera do consultório médico, entreolham-se vagarosamente, até que Raquel puxa uma conversa: 
 
-Quanto tempo, Laura! Como você está? O que você tem feito?  
 
-Nada, Raquel, eu não trabalho, eu apenas cuido dos meus filhos.
 
-E você, Raquel?
 
-Eu ocupo o cargo de gerente, numa multinacional. Mas tem sido difícil, pois me delegaram muitas funções: habilidade de comunicação, disciplina dos membros da equipe, organização estratégica, responsabilidade no planejamento, execução de tarefas e disposição para a rotina pesada de trabalho. Sem contar a parte de habilidade emocional: paciência, resiliência e autocontrole.
 
Laura faz uma cara atônita e, ao mesmo tempo, pensativa para a amiga. Mas quando vai dar a sua opinião, a secretária invade a conversa e chama Raquel para ser atendida.  
 
Laura fica sozinha na sala de espera e logo entra seu marido, com um olhar cheio de pressa e diz:
 
-Laura, Vamos! A consulta já acabou, não é mesmo? O que você estava fazendo aí sentada?
 
-Sim, a consulta acabou, estava apenas conversando.
 
- Mas a Maria deve estar com fome e eu preciso almoçar e voltar logo para o meu trabalho. Você que não trabalha pode ficar aí conversando!
 
Laura coloca o cabelo atrás da orelha delicadamente, dá uma suspirada profunda, como quem tenta uma meditação espontânea e diz:
 
-Meu amor, eu trabalho sim, acabei de descobrir que eu executo diariamente todas as funções de uma gerente de multinacional, com uma pequena diferença, não tenho direito a férias, descanso semanal, hora extra e nem décimo terceiro.
 
-Oi, Laura? Tá tudo bem com você?
 
-Sim, tudo ótimo, mas pode me chamar de Mãenacional.
 
-Francamente! Com quem você estava conversando?

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