Pintor que esquartejou mulher vai a júri hoje


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Imagem de arquivo mostra Denny de Queiroz, 37, durante reconstituição do crime, ocorrido em 2016
Imagem de arquivo mostra Denny de Queiroz, 37, durante reconstituição do crime, ocorrido em 2016
Chegou a hora de prestar contas com a Justiça. Nesta quinta-feira, o pintor desempregado Denny de Queiroz Pires, de 37 anos, será julgado pela morte da desempregada Ana Cláudia Abib, de 40 anos, ocorrida em 2016. O esquartejador e assassino confesso vai a júri popular a partir das 9 horas, no Salão do Júri, no Fórum da cidade, por homicídio qualificado e destruição/ocultação de cadáver.
 
O crime aconteceu na madrugada do dia 17 de novembro de 2016, em uma casa do Jardim Guanabara, e só foi descoberto dias depois. Na ocasião, segundo a denúncia feita pelo Ministério Público, o acusado, que tinha um relacionamento com a vítima, manteve relações sexuais com Ana Cláudia e, enquanto estava por cima de seu corpo, passou um bisturi em seu pescoço. Depois, deixou-a deitada em um colchão, em um dos quartos da casa onde dormiam e usavam drogas juntos,“esgotando sangue até morrer”, como o próprio pintor definiu durante as investigações policiais. Ele deixou o corpo de Ana Cláudia no local até o dia seguinte, quando decidiu “dar fim ao corpo”, ainda segundo suas palavras.
 
Com um machado e uma lona, comprados na manhã seguinte ao crime, Denny esquartejou a vítima e separou partes de seu corpo em sacos de plástico. Pagando corridas de táxi, “descarregou” um saco na avenida das Seringueiras, perto do Atacadão, e outro na Chave da Taquara, perto de Cristais Paulista. À taxista, disse que estava levando o cadáver de um animal da família para enterrar naquela região. “Esse foi o jeito mais simples. Picotei assim, com o machado, separei nos sacos e larguei nesses lugares. Não é fácil matar alguém e sair na rua. Não tinha carro nem como carregar o corpo nas costas. Estava com medo de acharem”, disse ele, em entrevista ao Comércio, na época do assassinato.
 
Ao voltar para casa, o pintor ateou fogo no colchão e ainda lavou o quarto. Também se livrou do bisturi e do machado usados no bárbaro crime. Ele foi preso na casa dos pais, no bairro da Estação, no dia 12 de dezembro, três dias depois da Polícia Civil encontrar partes do corpo de Ana Cláudia. Desde então, não saiu da cadeia. Até julho do ano passado, ficou na Penitenciária de Franca. Depois, seus defensores conseguiram sua transferência para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Ribeirão Preto, de onde virá hoje para o júri.
 
‘Demônio no corpo’
“Ela pediu por isso”. Foi dessa forma, no dia de sua prisão, que Denny definiu o acontecido com Ana Cláudia por suas próprias mãos. Em entrevista ao Comércio, disse ainda que mantinham um relacionamento há um ano e meio e haviam se separado pouco antes do assassinato. Também deu detalhes de como cometeu o bárbaro crime e assassinou a namorada, que deixou dois filhos. 
 
Além de dizer que “ela não dava espaço e desrespeitava, ficando com outras pessoas”, o pintor afirmou que, no dia, tiveram uma briga e isso teria motivado a assassiná-la em razão de “falta de juízo e muita substância na cabeça”. “Usei a força que o demônio me deu. Peguei um bisturi que tinha furtado e passei no pescoço. Consumi mais droga e dormi. Só no dia seguinte resolvi dar fim no corpo. Precisava tirar da casa. Tomei banho, vesti uma roupa social e fui até uma loja de ferramentas, onde comprei o machado”, disse.
 
Logo após se livrar do corpo, o acusado foi preso. E, ainda naquela ocasião, atribuiu, por diversas vezes, o homicídio e as várias passagens criminais por furto ao uso de drogas. “A gente vai decaindo até ficar no nível da droga. O dinheiro que eu ganhava com o pouco que conseguia trabalhar como pintor, destinava para a compra de entorpecentes”, disse Denny, que, após dar detalhes do crime, disse ter se arrependido. “Acho que foram a falta de sanidade, substâncias na cabeça e o demônio no corpo que causaram isso também. Não tenho o poder de ressuscitar ninguém, mas me arrependo do que fiz.”

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