Quem nunca caiu durante uma brincadeira? Ou mesmo num momento de desatenção? E quem, nessas circunstâncias, não ouviu alguém olhar o calombo que se formou e dizer: Ih! O galo cantou!” Quase toda criança que está lendo este texto já bateu a cabeça e, em minutos, ganhou um “galo”. Por que isso acontece? Vamos responder.
Em primeiro lugar é preciso saber que não existem músculos entre o crânio e o couro cabeludo. Então, os vasos sanguíneos ficam pertinho da superfície. E aí, quando há uma batida, os vasos se rompem, o sangue vaza e fica acumulado entre o couro e o crânio, formando uma bolsa cheia de líquido. O sangue empurra o couro que é macio e, com a pressão, o galo aparece. Quanto mais sangue, maior o galo. Tem galo de todo tamanho: pequeno, médio, grandão...
Assim que acontece a pancada, adultos correm para ajudar a criança. Fazem compressas de gelo no local. Ou então encostam a lâmina de uma faca sobre o galo. Num caso e noutro, o fato de serem frios, gelo e lâmina, ajuda o sangue a vazar e o calombo a ficar menor.
Em geral, ele some em sete dias. Vai diminuindo aos poucos até desaparecer de vez. O sangue acumulado vai sendo absorvido pelo próprio organismo. Ou seja, nosso corpo tem seus sistemas de reparo, que não costumam falhar. Assim como um corte no dedo se fecha e nem deixa sinal, também o calombo some e não deixa lembrança. Quer dizer, na pele não; na memória, muitas vezes.
E por que ele recebe este nome de “galo”? Se você respondeu que é porque lembra a crista da ave, acertou! Em muitas línguas é assim que se chama este resultado de acidentes infantis que geralmente ocorrem dentro de casa, na escola ou mesmo na rua. Tem quem se lembra do “galo” provocado quando caiu da cama onde estava pulando; do que apareceu depois que saiu correndo para pegar alguma coisa na cozinha e bateu a testa na geladeira; de outro que se formou enquanto brincava de pega-pega no parque, se distraiu e- pimba! –carimbou a árvore. Acontece com todo mundo. O “galo” faz parte da infância.
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