O que quer dizer profético? Esta é uma pergunta que muitos podem estar se fazendo ao ler o título acima. Vamos explicar: profético é aquele que antevê o futuro, que adivinha o que vai acontecer. Isso não significa que tenha algum poder especial. No caso dos escritores, proféticos são aqueles capazes de imaginar como serão os anos futuros a partir das conquistas do presente. Jules Verne (1828-1905) foi um escritor profético porque previu em seus livros os inventos que se tornariam realidade muitas décadas depois, como a televisão, o helicóptero, o cinema falado, a vitrola, o gravador, as esteiras rolantes, o ar-condicionado, o avião, o submarino e muitos outros.
Na história Vinte mil léguas submarinas, por exemplo, ele antevê a invenção do submarino ( a que chama de Nautilus) e cria um personagem que se tornaria muito famoso, o Capitão Nemo, que reaparece em A ilha misteriosa. Em Viagem à Lua, descreve com antecedência de mais de um século a ida de foguete tripulado por humanos ao nosso satélite. Este escritor possuía uma enorme capacidade de prever como seria o futuro porque acreditava que o mundo está sempre evoluindo. O que é pura verdade!
O primeiro livro que Jules Verne escreveu foi publicado há 153 anos e tem por título Cinco semanas num balão. Muito tempo, não é? Pois então, apesar disso ele continua fazendo grande sucesso entre leitores de todas as idades e acaba de ganhar bonita edição da Edipro. De oito a oitenta anos, não há quem não se encante ainda hoje com o relato dessa viagem incrível, onde o doutor Samuel Fergunson, seu fiel criado Joe e o grande amigo Dick Kennedy vivem uma surpreendente aventura, tentando encontrar lá do alto as nascentes do rio Nilo. O mais curioso é que Jules Verne, que nunca tinha estado na África, foi capaz de descrever em detalhes paisagens geográficas, manifestações culturais, a fauna e a flora africanas que seriam avistadas pelos tripulantes do balão. São muitas as dificuldades que os personagens enfrentam, como a altura, a direção dos ventos, a alimentação, entre outras. Todos esses fatores unem-se ao cotidiano de uma terra de muitos perigos como animais selvagens, tribos indígenas, o deserto do Saara e muitas tempestades. No balão de hidrogênio os personagens correm muitos riscos pois devem manter a rota traçada a fim de cumprirem seu objetivo e chegarem à costa oeste da África.
Um ano depois Jules Verne escreveu Viagem ao Centro da Terra, que já foi adaptado para o cinema. E uma década após, outra história que tem o balão como meio de transporte: A volta ao mundo em oitenta dias. O protagonista, Mr Fog, junto a seu ajudante, Passepartout, aposta com um amigo que é capaz de fazer uma volta completa ao redor da Terra num balão em contados oitenta dias. E não é que ele ganha a aposta?
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