Na tentativa de não ir a júri popular após a tragédia da avenida Paulo VI, ocorrida em 31 de outubro de 2015, o auxiliar Cairo César Cruz, de 25 anos, está recorrendo ao STJ (Supremo Tribunal de Justiça). Sua advogada de defesa entrou com o recurso especial, já negado em Franca e no Tribunal de Justiça, para que seu cliente não responda pelas mortes da estudante Mariana Luiza de Sousa, de 19 anos, da balconista Bruna Cintra Justino, 20, e da desempregada Carolina Rodrigues Borges, 20, e pela tentativa de homicídio contra o estudante César Eduardo Gonçalves, 18.
No documento, protocolado no processo no início do mês, a defensora de Cairo, Abadia Neves Bereta, requere que ele responda apenas por homicídio culposo em razão de um excesso na acusação, já que ele responde por homicídio doloso na modalidade dolo eventual (quando o indiciado prevê o resultado de um crime, não quer o ocorrido, mas assume o risco de matar).
Ainda em suas alegações, a advogada argumentou que o crime de trânsito deve ser tratado pela legislação especial e não pelo Código Penal e que o auxiliar não queria causar o acidente fatal. Afirma também que, se fosse da maneira descrita na denúncia feita, Cairo teria, então, tentado suicídio. Na argumentação, Abadia escreveu que, se o cliente tivesse bebido ou estivesse em alta velocidade, assumindo o risco de matar alguém, também colocaria em risco sua própria vida, “uma tentativa clara de suicídio, pois se causaria a morte de alguém nessas circunstâncias, também poderia causar a sua”, escreveu.
Na última terça-feira, apesar do recurso especial utilizado pela defesa na tentativa de escapar do júri popular, a Procuradoria de Justiça do Estado de São Paulo pediu que o processo retorne para Franca e que seja marcada a data do julgamento. A advogada de Cairo foi procurada pela reportagem do Comércio para comentar o pedido que fez ao STJ, mas não quis se pronunciar a respeito.
O caso
Na madrugada do dia 31 de outubro de 2015, dia do aniversário de Carolina, uma das vítimas, Cairo perdeu o controle do Fiat Linea que dirigia, invadiu o canteiro central e bateu em uma placa de publicidade e em uma árvore. Ele, as vítimas e amigos estavam em uma padaria nas proximidades da Boulevard antes da fatalidade.
Com o impacto, as três jovens morreram. César Eduardo, que também estava no carro, sofreu ferimentos leves. Cairo foi socorrido, ficou 12 dias internado na Santa Casa e depois se recuperou. No decorrer das investigações, feitas pelo 4º Distrito Policial, testemunhas afirmaram que o auxiliar ingeriu bebida alcoólica antes do acidente. Ele foi denunciado por homicídio doloso e agora luta para não ir a júri popular pelas mortes.
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