Cinco décadas depois da Revolução Feminista que teve início em meados de 1960, as mulheres ainda ganham menos do que os homens em Franca. A constatação faz parte dos dados da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho. Pelo levantamento, a diferença média entre os salários pagos para os homens e para as mulheres é de 16,1%. Os dados levam em conta apenas os empregados com carteira registrada.
Pelo levantamento, existem hoje trabalhando na cidade 84.688 pessoas. Destas, 44.831 (52,9%) são homens e 39.857 (47,1%) são mulheres. O salário médio dos homens é de R$ 2.057 enquanto o das mulheres é de R$ 1.771.
A pesquisa ainda mostra que, apesar do número de mulheres no mercado de trabalho francano ter crescido em dez anos, a diferença entre os salários masculinos e femininos na década se manteve praticamente inalterada. Em 2006, as mulheres formavam um total de 28.670 trabalhadoras, que tinham salário médio à época de R$ 789,39. Enquanto os homens representavam 39.777 trabalhadores e ganhavam, em média, R$ 930 por mês, uma diferença de 15,1%.
Outro dado que chama a atenção é que, ao contrário do que muitos imaginam, a diferença salarial aumenta quanto maior for o grau de escolaridade. Para se ter uma idéia, a diferença salarial entre homens e mulheres que são analfabetos é de 17,6%, sendo que o rendimento médio da mulher nesta faixa de escolaridade é de R$ 1.263,30 e dos homens R$ 1.486,4.
Já quando analisados os dados referentes à faixa de trabalhadores com grau superior completo, mestrado ou doutorado, a distância entre os rendimentos mensais de um e de outro gênero salta para 39,5%. Enquanto as mulheres com formação superior recebem em média R$ 3.196,85, os homens com o mesmo grau de escolaridade ganham R$ 4.460,58, uma diferença que ultrapassa os R$ 1 mil.
E de acordo com os dados da RAIS, as mulheres são maioria entre os trabalhadores mais qualificados. Dos mais de 12,4 mil empregados com nível de ensino superior completo, 7.887 são mulheres (63,1%).
Em todos os setores da economia, as mulheres ganham menos do que os homens. Mas a diferença menor é em serviços de utilidade pública, que abrange por exemplo os atendimentos médicos. Neste quesito, a média salarial dos homens é de R$ 6.350 e das mulheres de R$ 5.835, uma diferença de 8,8%. O setor em que a distância entre os rendimentos femininos e masculino é maior é na administração pública, que abrange todos os órgão municipais, estaduais e federais da cidade. Neste setor, o salário médio dos homens é de R$ 4.066 e das mulheres R$ 3.043, uma diferença de 33,6%.
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