Protagonista. Foi com esse papel que o jogador Leonardo Simões Meindl, hoje com 25 anos, retornou para Franca no segundo semestre do ano passado. Um dos “pratas da casa” de maior sucesso da atualidade, o ala havia acabado de ganhar o título do NBB (Novo Basquete Brasil) com seu ex-clube, o Bauru, exatamente o algoz da amarga desclassificação do Sesi Franca na semana passada. Primeiro nome a ser anunciado como reforço após a parceria milionária firmada com o Sesi, o jovem assumiu a função de capitão e se tornou um dos principais motivos da torcida para apostar no fim do jejum de títulos da equipe francana. O sonho, porém, foi encerrado prematuramente após o fracasso diante do Bauru e a derrota por 3 a 0 nas quartas de final da competição nacional.
Jogador do Franca com mais tempo em quadra nesta edição do NBB, foram mais de 850 minutos em 31 jogos - ele atuou em todas as partidas disputadas - Meindl foi ainda o responsável pelo maior número de tentativas de cestas; saíram de suas mãos 921 pontos possíveis ante 380 convertidos. Presente nas primeiras colocações de todas as estatísticas da equipe, ele foi o atleta com a maior média de assistências 3.7 por partida; o segundo em pontos, 12.3 e também em rebotes, 5.4 e o terceiro em eficiência 11.5. Em contrapartida, também foi o que mais errou e, consequentemente, em razão das expectativas e de tudo o que poderia apresentar, um dos mais cobrados pela torcida.
Dois dias após a desclassificação da equipe, o atleta fez uma postagem em suas redes sociais onde classifica como uma falha a forma como Franca deixou o NBB. Assumindo a responsabilidade e afirmando entender as cobranças, ele pediu desculpas a todos que acreditavam no projeto e também afirmou que aceitaria passar por tudo novamente. Na última quinta, Meindl recebeu a reportagem do Comércio para falar um pouco sobre a temporada, seus próximos passos e ainda responder questões polêmicas levantadas após o resultado negativo.
Você retornou para Franca logo depois da conquista do NBB no ano passado, quando defendia o Bauru. Como foi tomar essa decisão naquele momento? Acredita, mesmo depois dos resultados e da cobrança, que tenha tomado a melhor decisão voltando?
Só pensava em títulos quando voltei. Esse desafio foi proposto quando estava de férias ainda e eu logo aceitei. Acho que a derrota foi uma surpresa, não era o que esperávamos, treinamos muito e batalhamos muito durante a temporada toda. Aconteceu que nesse playoff a gente não conseguiu se encaixar e todo um sonho que a gente tinha foi por água abaixo. É decepcionante e triste pra nós, sofremos muito por que viemos em busca de títulos. O time foi montado para ser campeão e vim com uma responsabilidade muito grande, de ser capitão e um dos protagonistas. Acho que em grande parte do campeonato, cumpri minha função, tentei ajudar o time da melhor maneira que podia e é um pouco difícil falar agora, pois está recente, mas nós falhamos e tudo o que acontece serve de aprendizado e será uma grande lição para nós.
É possível dizer que a parada nas oitavas de final prejudicou o time?
Acho que sim. Costumo dizer que são três ritmos diferentes, quando o jogador está voltando das férias, que é a pré-temporada; o ritmo de treino, quando treinamos em equipe e o ritmo de jogo. Ficamos quase 25 dias sem jogar e acho que isso pesou bastante. Tínhamos três jogos para nos encaixar e não conseguimos.
Como explicar o resultado destoante contra o Bauru? Onde a equipe errou e o que melhorar para a próxima temporada?
Um dos pontos que precisamos colocar na balança é que nosso time foi montado agora e a maioria dos jogadores nunca tinha jogado junto. Somos amigos de termos sido adversários, mas não de jogar junto. O fator coletivo, de entrosamento, pesa muito nesses momentos. Quando você joga com alguém por mais de dois anos, só de olhar você já sabe o que ele está pensando e quer fazer e nosso time não teve isso. Sintonia é um pouco complicada no começo. Por exemplo, você pega o time do Bauru, já tem a base há quatro anos, muito tempo junto. A cobrança de ser campeão, com a chegada dos novos jogadores, também é complicada.
Você acredita que possa ter faltado jogo coletivo na equipe do Franca e que isso tenha prejudicado o resultado final?
Não acredito que tenha faltado jogo coletivo. Neste momento acho que cada um precisa colocar a mão na consciência e ver onde errou. Não vejo alguém que tenha sido o problema ou culpado. Todos os jogadores se entregaram, é difícil, está recente e acho que é preciso analisar e corrigir para a próxima temporada. Talvez durante o campeonato a gente não tenha entendido exatamente qual a função de cada um e quando você chega no playoff, que é a hora da verdade, isso fica complicado. Chegou no momento da decisão e a maioria dos jogadores, inclusive eu, não entendeu o que deveria ser feito realmente para ganhar os jogos e não conseguimos sair de uma situação ruim. Acho que faltou por parte dos jogadores, todos nós, enxergarmos o que poderíamos ter feito de melhor, tanto no individual como para ajudar o próximo.
O que você poderia ter feito de melhor nesse campeonato?
Acho que tive muitas melhoras na competição, os números não mostram, mas como pessoa, mentalmente, dentro do jogo, esse ano foi o que mais evoluí. Depois dessa temporada, tenho uma visão completamente diferente do jogo. Acredito que o fato de querer ganhar, de ter responsabilidade, talvez isso tenha me atrapalhado e eu fizesse diferente. Não de transferir a responsabilidade, mas de ter escolhido melhor os momentos, tomar decisões nos momentos que fossem os corretos. Isso é o que mais poderia ter melhorado.
O técnico Helinho Garcia falou, logo após a desclassificação do time, que faltou confiança para a equipe. O fator psicológico pesou em vocês na etapa decisiva?
Atrapalhou muito. O primeiro jogo a gente sabia que seria muito difícil, pela falta de jogos que estávamos tendo, eles vinham no clima de playoffs. O segundo jogo, em casa, acho que foi mais tenso ainda. Precisávamos da vitória, o ginásio lotado, a torcida pressionando, a gente teve um aproveitamento baixíssimo e o Bauru jogou nos nossos erros, se aproveitaram desse desequilíbrio emocional. A falta de confiança no ataque fez com que eles jogassem mais tranquilos, pois poderiam errar quando estavam atacando. Poderíamos ter garantido na defesa, mas não fizemos uma boa defesa em nenhum dos jogos.
O Helinho e você são os mais cobrados pela derrota. É mais difícil lidar com a torcida de Franca do que com as outras?
Aqui é tudo um pouco mais complicado, porque além do fanatismo, a torcida entende bastante de basquete, então a cobrança fica um pouco mais intensa. Por sermos daqui, por levarmos o nome da cidade, sofremos uma pressão maior. Até a chegada do Leandro eu era um dos que tinham mais volume no ataque e a gente espera um pouco mais das pessoas que a gente confia. Acabou que no final não fui tão bem, tive uma lesão e não consegui render o que poderia nos dois últimos jogos. Mas, como a torcida para as conquistas, as críticas têm que ser bem aceitas.
Em quase todo NBB o time não esteve completo, sejam por contusões ou suspensões de vários jogadores. É possível dizer que, no momento das contratações, foram privilegiados mais os nomes dos atletas em detrimento das condições físicas deles?
É um pouco difícil isso, não tem como saber quem vai machucar ou quem será suspenso, são apostas. Por exemplo, o Leandro e o Luz chegaram quando estávamos saindo do Paulista e, acredito eu, a expectativa é que eles chegassem aos playoffs bem. Eles entraram em quadra, renderam bastante, como o Luz nos últimos jogos, sendo um dos nomes mais importantes. O Leandro estava bem e acabou se machucando, foi uma fatalidade. Não é possível antecipar essas situações.
O que o Léo Meindl espera para o futuro. Você fica em Franca?
Ainda está muito prematuro falar sobre isso Preciso sentar e colocar tudo na balança e pensar o que será melhor pro meu futuro. Não preciso esconder de ninguém que é uma honra representar a cidade, sempre tenho vontade de jogar aqui. Na temporada passada, inclusive, eu tinha planos de ir pra Europa e ver qual meu nível e quando recebi a proposta não pensei duas vezes e aceitei. Tenho o sonho de ser campeão por Franca e sempre que recebo uma proposta ou o desafio de jogar aqui é claro que fico balançado.
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