Hoje em dia, a vida vai me dando toques distraídos, até porque antes me dava rasteiras cinematográficas; deixava-me com a cara no chão e saia de mansinho para eu aprender como é bom ser incauta nesta guerra insana que é viver.
Mas agora, ela chega com um pouco mais de respeito, de leve e com toques mais discretos. Foi assim depois dos 45 anos. Ela chega de manhã, depois do meu banho, eu ainda com os olhos meio trôpegos de sono ou durante o ritual da infalível água termal dita pela moda vigente. E sempre me pega distraída e vai me dando suaves toques e batidas genuinamente sutis. Mostrando-me que o caminho pode ser suave, dependendo ainda das nossas escolhas e do olhar que optamos por deixar.
Nestes dias, a vida me ensina que realmente sou falha; que toda suposta sabedoria que achava possuir, pode cair por terra quando paro para ver um ângulo de uma história que nunca havia pensado existir.
Vai me contando que embora eu acredite que possa vencer tudo com o trabalho e conhecimento acadêmico, acreditar em um Ser acima de mim, faz-me mais humana, justa e principalmente mais forte, daquela fortaleza que transcende às prolixas explicações.
A vida vai me dando pequenas lições do caráter do outro; não daquele caráter duvidoso que todos nós costumeiramente deparamos e nos decepcionamos, mas sim do bom caráter daquele de quem jamais havíamos imaginado e do bom coração daquele que se assemelhava à esfinge de pedra.
Vai me mostrando este exercício de olhar o outro nos olhos, ouvi-lo, mas talvez não fazer nada disso e apenas observá-lo em silêncio.
Vai me deixando ver que outro tem um mundo diverso dentro de si que, que dependendo da maneira que você se permite olhar, vai mostrá-lo de uma forma tão absurdamente surpreendente, que transformará o seu dia e a forma de você olhar a vida.
A vida vai me batendo e mostrando que chegar não é tão mais importante que a decisão de partir, e que este caminhar de todos os dias em frente, tem mais valor do que se debater em inúmeras atitudes passivas. Que o que nos faz fortes, e esse ato de agir rotineiro, o qual devemos fazer humildemente, tentando aprender com os erros, se permitindo ouvir com mais vagar e retomando as batalhas do zero, porque quase sempre a derrota nos acena.
A vida vai me mostrando que nem sempre a verdade está comigo e à vista, ela é esfacelada, a prazo, dúbia e obscura, por questões que eu não havia percebido no decorrer na minha usual análise preconcebida. A vida, essa madrasta, anda me batendo e muito...
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