A mais recente pesquisa Ibope para o governo do Estado de São Paulo mostra um empate técnico no primeiro lugar entre os candidatos do PSDB e MBD. O ex-prefeito de São Paulo João Doria e o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, aparecem com 24% e 19%, respectivamente. Considerando a margem de erro do levantamento, de três pontos percentuais para mais ou para menos, os políticos empresários - ou empresários políticos - aparecem juntos na liderança da corrida para a cadeira de governador. Essa pré-disputa ao governo paulista pode ser determinante em um pleito maior, a eleição para presidência da República. Tudo patrocinado pela desorganização tucana em São Paulo.
Sem um nome de centro que decole, com o ex-governador Geraldo Alckmin patinando - não lidera nem mesmo em seu reduto eleitoral -, nos bastidores caciques tucanos e emedebistas tentam costurar um acordo para se unirem e lançarem uma chapa única. E nessa colcha de retalhos, Alckmin, Doria e Skaf, além do presidente Michel Temer, aparecem como os principais trapos dessa tramoia. Em outra frente de batalha, aparece o atual governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que tenta unir seu partido a seu antecessor. O pessebista trabalha para que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa seja o vice de Alckmin. As duas frentes com vistas ao Palácio do Planalto - sede do governo federal - têm o Palácio dos Bandeirantes - sede do governo paulista - como pano de fundo e crise do PSDB paulista como motivo.
Cogita-se nos bastidores a desistência de Skaf ao Bandeirantes ou a de Alckmin ao Planalto. No caso do presidente da Fiesp, seria para unir PSDB e MBD na disputa federal em torno da candidatura de Alckmin. O MDB tem Temer e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como pré-candidatos não oficiais, mas ambos aparecem com apenas 1% das intenções de voto nas mais recentes pesquisas. Abrir mão da disputa em São Paulo é “lenda”, diz Skaf, que questiona o fato de as tratativas privilegiarem o PSDB tanto na disputa nacional como na estadual. “Que acordo é esse?” Por outro lado, é cogitada a troca de Alckmin por Doria na disputa da Presidência da República. Mas neste caso, pelo menos publicamente, o ex-prefeito afirma que não atuará contra seu padrinho político.
Sejam “lendas” ou não, essas conjunturas ventiladas nos bastidores políticos denotam a que ponto chegaram a desorganização e a desnutrição do PSDB no Estado de São Paulo. A pré-candidatura de Doria, numa espécie de imposição, desestabilizou as bases do partido em terras paulistas. Enquanto o diretório estadual promove uma caça às bruxas contra os tucanos pró-França, o partido se derrete e corre o risco de perder não só o Planalto, como também o Bandeirantes, que domina há 30 anos.
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