A Polícia Civil acredita que os donos da empresa Amazon Pescados, lacrada sexta-feira no Guanabara por vender peixes impróprios para o consumo, não estejam envolvidos apenas no crime contra a saúde pública. A suspeita é de que a comerciante Verônica Pessoa da Silva, 56, e a filha dela, Liliana Pessoa da Silva, 31, que já foram presas por estelionato, tenham aplicado golpe em sócios e fornecedores. Liliana era procurada pela Justiça e já voltou para a cadeia.
A apreensão de 7,8 toneladas de peixe não se deu por acaso. Foi um desentendimento entre um sócio e Verônica que levou a polícia e fiscais sanitários ao local. Desconfiado de que teria caído em um golpe, o sócio foi até a peixaria para retirar os produtos e amenizar o prejuízo, avaliado em cerca de R$ 100 mil, e pôs os peixes na câmara fria de um caminhão. Mãe e filha chamaram a polícia. A Vigilância Sanitária também foi acionada.
Ficou constatado que os peixes eram transportados de maneira inadequada, por isso, foram apreendidos e descartados no aterro sanitário. Ainda na noite de sexta-feira, Liliana foi ao plantão policial reclamar da atitude do sócio. Ao puxarem sua ficha, os policiais descobriram que havia um mandado de prisão preventiva expedido contra ela pela Justiça de Pernambuco (PE), justamente, pelo crime de estelionato. A confusão não terminou por aí.
Ontem, dois comerciantes de Manacapuru, município localizado na Região Metropolitana de Manaus, no Estado do Amazonas, foram até a sede do 2º DP, no Jardim Guanabara, e prestaram queixa contra os donos da peixaria. Estavam com cinco cheques, que somam R$ 130 mil, todos sem fundo.
“Nosso prejuízo, incluindo o frete e os dias que trabalhamos na montagem da peixaria, passa de R$ 140 mil. Outro fornecedor do Amazonas tem R$ 38 mil para receber. Fomos atrás da Verônica hoje (ontem) para receber e ela acelerou o carro e quase atropelou meu amigo. Não temos mais esperança de receber”, disse Vítor Arruda Ferreira.
O delegado Alan Bazalha Lopes instaurou inquérito para apurar os crimes contra a saúde pública e a acusação de prática de estelionato contra Liliana, Verônica e o marido dela, José Norberto Sobrinho, que seria o responsável pelas compras.
“Além do prejuízo causado aos comerciantes do Estado do Amazonas, temos a informação de que moradores de Franca investiram uma quantia alta junto à família para possibilitar a abertura desta empresa que, no nosso entendimento, nada mais seria do que uma ‘arapuca’ para aplicar golpes, levando-se em consideração os antecedentes de mãe e filha”, disse o delegado.
Mãe e filha já foram presas por golpe de R$ 350 mil
No dia 4 de outubro do ano passado, Verônica Pessoa da Silva e Liliana Pessoa da Silva foram presas acusadas de aplicar golpe de R$ 350 mil na compra de joias no Pará. Mãe e filha estavam morando em um condomínio de alto padrão no município de Cristais Paulista, onde foram descobertas durante ação conjunta realizada por policiais daquele Estado e da DIG de Franca.
Cinco vítimas tinham prestado queixas contra mãe e filha, uma delas teria perdido R$ 170 mil em joias. As acusadas foram transferidas para Belém, mas ficaram pouco tempo na cadeia. Desde o começo deste ano, estavam morando em um apartamento na avenida Rio Amazonas, nas proximidades do Franca Shopping.
Segundo a polícia, foi lá que elas começaram a tramar o novo golpe. O delegado Alan Bazalha afirma que as duas sempre procuram se estabelecer em imóveis de luxo quando chegam às cidades. “Elas são boas de lábia, dão festas e convidam os novos vizinhos. Usam a estratégia de dizer que são empresárias bem sucedidas. No começo, cumprem com o que combinaram. Quando ganham a confiança das vítimas, aplicam o golpe e somem com o dinheiro que ganharam ilicitamente.”
As investigações estão na fase inicial e o delegado acredita que o número de vítimas em Franca possa ser maior. Liliana já havia sido presa por furto de joias em Brasília.
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