'Sou um soldado do Gilson', diz o responsável pela Emdef


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Em janeiro, ele assumiu a chefia de gabinete do prefeito Gilson de Souza (DEM), mas ficou apenas 40 dias no cargo. Acabou sendo convocado a resolver os problemas financeiros que tomavam conta da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), que é a responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte, do aterro sanitário, além de diversas obras de trânsito e infraestrutura. A Emdef enfrentava uma de suas piores crises. Com dívidas que ultrapassavam os R$ 5 milhões, corria o risco de ser fechada. 
 
Marcos Haber, que por formação é dentista, foi quem conseguiu equilibrar as contas e mudar a realidade da Emdef, que fechou o ano no azul e hoje tem um faturamento mensal de mais de R$ 1,5 milhão. “Sou um soldado do Gilson. Vou pra onde ele mandar. Atendi ao pedido dele para assumir a Emdef e não me arrependo”, disse ele. 
 
Haber é um dos homens de confiança de Gilson, a quem conhece há mais de uma década. Os dois trabalharam juntos quando Haber era gerente comercial da Santa Casa de Franca e Gilson deputado estadual. “Foram sete anos na Santa Casa. Em 2014, deixei o hospital e estava me recolocando no mercado quando por um acaso cruzei com o Gilson e ele acabou me convidando para trabalhar em seu gabinete de deputado em São Paulo. Fiquei poucos meses lá e depois trabalhei com a liderança do DEM da Assembléia Legislativa”. 
 
Haber conta que, quando Gilson decidiu se candidatar à Prefeitura, ele estava junto. “O Gilson sentia que ia ganhar. Ele acabou me contagiando e eu o apoiei. Quando ele venceu e assumiu a Prefeitura, me convidou. Não podia dizer não”, disse. 
 
Nesta entrevista, Haber fala sobre as dificuldades que enfrentou e os desafios que tem pela frente, como a elaboração da nova licitação para a exploração dos serviços de transporte público em Franca.
 
Quando o senhor assumiu o comando da Emdef, em fevereiro do ano passado, a empresa enfrentava uma grave crise financeira e havia o risco, inclusive, de não honrar a folha de pagamento dos servidores. Qual a situação da Emdef hoje? 
Verdade. Quando assumi a Emdef a situação era muito complicada. Estávamos trabalhando no vermelho. A empresa tinha acumulado no ano anterior um prejuízo de mais de R$ 5,6 milhões, muitas máquinas estavam quebradas ou sucateadas, não havia um acompanhamento rígido dos contratos e pagamentos. O começo foi muito difícil, mas, graças a Deus, conseguimos dar a volta. No ano passado, a Emdef já fechou no azul, com um saldo de R$ 400 mil. Esse valor deve crescer ainda mais agora em 2018. 
 
E qual é a receita para recuperar as finanças da empresa?
Não teve mágica, não. Apenas apliquei a velha regra de conter despesas e aumentar as receitas. Um exemplo são os contratos com a Prefeitura. Montamos equipes especializadas em pintura de solo que acabaram assumindo parte dos serviços que antes eram feitos por empresas terceirizadas. Além disso, também diversificamos os serviços oferecidos e passamos a atuar mais junto à iniciativa privada, executando trabalhos de pavimentação e galerias em novos empreendimentos imobiliários da cidade. Nosso faturamento cresceu mais de 50% em um ano. Em março do ano passado, faturamos R$ 1,04 milhão. Em março de 2018, o faturamento passou do R$ 1,5 milhão. Algumas mudanças internas, como o corte das horas extras e a diminuição dos gastos com aluguel de máquinas, contribuíram para equilibrar as contas.
 
A Emdef é quem gerencia e fiscaliza o transporte público da cidade. No ano que vem, o contrato com a Empresa São José vence. Como estão os preparativos para uma nova licitação para os ônibus e o que deve mudar?
O atual contrato está no fim. O último aumento na tarifa deve acontecer agora em junho. Será difícil não aumentar a tarifa de ônibus porque, pelo que temos acompanhado, houve uma queda de cerca de 1 milhão de passageiros no ano passado e ainda surgiram novos bairros que tiveram de ser incluídos nas linhas regulares. Mas, para o futuro, o prefeito Gilson de Souza quer mudanças. Ele não acha justo o valor cobrado atualmente dos trabalhadores. Para pensar em alternativas e melhorias na qualidade do serviço, devemos montar uma comissão de transporte no início de maio, provavelmente, nos dias 7 ou 8. Essa comissão será a responsável por reunir o maior número de informações possíveis para que realizemos uma nova concorrência. Queremos visitar outras cidades em que a tarifa é menor e a qualidade do transporte é boa. Também queremos ouvir a população, saber de quem usa o transporte o que precisa ser melhorado. A comissão ainda contará com estudos para sugerir novas tecnologias que poderão ser usadas no sistema. Nossa intenção é que o esboço do edital esteja pronto até janeiro para que possamos realizar audiência públicas e, então, abrir a licitação. O prefeito ainda estuda a possibilidade de subsidiar o transporte, que é uma prática comum nas cidades maiores. A ideia é tentar baratear a tarifa.
 
Duas obras que estão paradas são de responsabilidade da Emdef: a do Engenho Queimado e a da nova avenida do Jardim Aeroporto. Há alguma previsão de serem retomadas ou concluídas?
Quando eu assumi a direção da Emdef, essas duas obras já estavam paradas. Ninguém aqui sabia detalhes das razões. Depois descobri que, no caso do Engenho Queimado, houve um problema com o solo do local. O projeto original não levava em consideração a qualidade do solo, que lá é turfa (arenoso e sem estabilidade). Quando foram começar as obras perceberam que era preciso colocar gabiões de pedras, o que elevou os custos. A obra inteira estava orçada em R$ 13,8 milhões. A administração anterior fez 300 metros e consumiu R$ 5 milhões e parou. No ano passado, fizemos um levantamento sobre o que seria necessário para terminar a obra. Os estudos mostraram que seria preciso mais R$ 13 milhões. Decidimos então rescindir o contrato com o Ministério das Cidades e agora devemos tocar a obra aos poucos, mas sem previsão de entrega. Para este ano, ela não tem orçamento. 
 
E sobre a avenida no Jardim Aeroporto...
Essa foi outra novela. A obra está orçada em R$ 1,7 milhão, mas deverá consumir muito mais que este valor. No terreno onde passará a avenida há um lixão desativado e uma voçoroca que não foram incluídos de forma adequada nos projetos originais. Então, a Emdef está refazendo tudo. Só depois dos novos projetos prontos é que poderemos orçar a obra e ver o que será possível fazer. O prefeito quer resolver o problema, até porque há um prazo para que a atual avenida seja interditada, se eu não me engano, de mais dois anos. Mas temos que agir com responsabilidade e fazer as coisas de forma correta e sem afogadilho.
 
Outra obra que, apesar de não ser responsabilidade da Emdef, o senhor tem se envolvido é a dos apartamentos do Copacabana. Há anos as famílias esperam pela entrega. O que está faltando? 
A Emdef entrou nesta história no ano passado, quando a Prefeitura assinou um acordo com o Ministério Público para agilizar a entrega dos apartamentos. Pelo acordo, a Prefeitura se responsabilizou por algumas obras que deveriam ter sido feitas pelo governo anterior e não foram. A Emdef acabou assumindo esse serviço e eu me envolvi com o drama das famílias. Não tinha nenhuma responsabilidade, mas tenho experiência em administrar conflitos e decidi colaborar. Desde, então, junto com o vereador Corrêa Neves Jr (PSD) e o prefeito Gilson de Souza, tenho buscado solução para os diversos problemas. Graças a Deus, a parte de obras já está totalmente concluída, agora dependemos da burocracia para as escrituras dos imóveis e a assinatura do contrato de financiamento. Atualmente a documentação está no cartório de imóveis e apresentou alguns problemas que precisarão ser corrigidos, vamos trabalhar para que tudo esteja resolvido o mais rápido possível. Depois do cartório, ficará faltando apenas a cerimônia para a assinatura dos contratos. Estamos na reta final. 

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