Aécio Neves agora também é réu


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Um tucano de alta plumagem no alvo da Justiça. O senador Aécio Neves (PSDB), segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais de 2014, que obteve 51,041 milhões de votos no segundo turno, torna-se réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de corrupção passiva e obstrução da Justiça. A decisão foi tomada pelos cinco ministros da Primeira Turma do STF. Na primeira acusação, a votação foi unânime; na segunda, o placar ficou em 4 a 1. Ao colocar no banco dos réus o ex-presidente do PSDB, principal antagonista do PT nas últimas duas décadas, o Supremo derruba a lamúria petista de que apenas seus membros são alvo do Judiciário nacional.
 
A acusação contra Aécio Neves é de que ele se valeu do cargo público para pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS. Assim como o presidente Michel Temer (MDB), o senador foi gravado pelo empresário. O dinheiro, que para a Procuradoria-Geral da República é decorrente da corrupção, seria usado pelo tucano para pagar advogados que o defendiam em investigação sobre caixa 2 de campanha. A corrupção passiva, segundo a denúncia, configura-se no fato de Aécio usar de seu cargo para colocar indicados de Joesley em funções públicas. Já a obstrução de Justiça teria sido cometida ao “isentar investigados de crimes relativos a recursos de campanha não contabilizados; constranger e ameaçar autoridades do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia com projeto de lei de abuso de autoridade; e para direcionar delegados federais para atuar em inquéritos de seu interesse”. A defesa nega as acusações, contesta a delação de Joesley Batista e diz que os R$ 2 milhões seriam um empréstimo que teria a casa da mãe de Aécio como garantia.
 
Se Aécio é realmente culpado, o Supremo ainda irá julgar. Mas ao aceitarem a denúncia, os ministros alegaram que há provas suficientes para levar a investigação a fundo. A decisão joga o principal nome do PSDB até há pouco mais de três anos no mesmo rol de Temer e seus ministros, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus ex-ministros, do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo, pivô do “Mensalão Tucano”, e de tantos outros... A decisão também faz com que os petistas busquem novos argumentos para atacar a Justiça, já que a lamúria não acaba nunca e a repetição de que é o Judiciário é seletivo não cabe mais. 
 
Com os principais nomes da política nacional ligados a crimes contra a administração pública, o Brasil vive o vácuo de liderança testemunhado neste período que acontece as eleições gerais de outubro. Melhor assim. Que a Justiça seja célere e capaz de varrer os corruptos do comando da Nação e que nós, eleitores, sejamos capazes de eleger um líder realmente comprometido com o País, e não com esse sistema que correu os cofres públicos.

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