A Câmara Municipal aprovou sem votos contrários as contas do ex-prefeito Alexandre Ferreira (SD) referentes ao exercício financeiro de 2015.
A unanimidade não significa que houve consenso no plenário. A votação se deu sob protestos. "A matéria é uma das mais espinhosas que teremos de enfrentar e se refere a um período conturbado do governo anterior: foi quando eclodiu o escândalo do ICV, que envolveu contratação de falsos médicos e desvio de recursos públicos", disse o vereador Corrêa Neves Júnior (PSD).
Vice-presidente da Comissão de Finanças da Câmara, ele ressaltou que, como o TCE não detalhou o problema do ICV, deixando a questão em apartado e recomendou a aprovação das contas, a Câmara ficou de mãos atadas. "Eu questionei o TCE se era normal apartar itens importantes, mas não tive resposta. Não temos condições técnicas de fazer a avaliação. Mesmo tendo sido crítico ao governo anterior, não posso agir com o fígado. Do ponto de vista das contas públicas, está correto".
Marco Garcia (PPS) também lembrou que teve divergências com Alexandre e concordou com o posicionamento de Corrêa. "Temos que separar as desavenças pessoais com a questão política. Graças ao trabalho da Neide, as contas ficaram corretas".
Adermis Marini (PSDB) disse que, desde que votou pela abertura do processo de cassação contra o ex-prefeito, Alexandre nunca mais olhou em sua cara. "Ele nem me cumprimenta e não perde a oportunidade de falar mal de mim, mas não vou votar com o fígado como, talvez, ele faria. Nossa discussão é técnica, o que mostra a maturidade da Câmara".
Della Motta (Podemos) disse que não se sentia confortável em votar as contas. "Por que houve o fatiamento? Me preocupa o fato de o TCE ter retirado da análise o fato mais importante".
Alexandre não foi ao plenário . Caso as contas fossem rejeitadas, ele não poderia se candidatar a deputado federal, como pretende.
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