A solução de onde menos se espera


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ALCKMIN PATINA E FRANÇA, DESPREZADO PELO PSDB, TENTA SALVÁ-LO
O Instituto Datafolha divulgou no último domingo os números da primeira pesquisa de intenção de votos para a presidência da República, após a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento mostra que o desempenho do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) é ruim no Estado que governou por quase 14 anos e é - ou era - o principal reduto tucano. Sem Lula, Alckmin aparece em primeiro lugar com 16%, tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro (PSL), 16%, e Marina Silva (Rede), 13%. Com Lula na disputa, Alckmin fica em segundo lugar, empatado com Bolsonaro, Marina e Joaquim Barbosa (PSB) - os índices são 20% para o petista, 13% para o tucano e 14%, 11% e 11% para os demais nomes, respectivamente. Quando considerado o cenário nacional, os números para Alckmin são ainda piores, perdendo votos para o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, que se filiou ao PSB no último dia da janela partidária. Com apenas 8% das intenções de votos no primeiro turno, a candidatura do tucano é vista com cautela dentro do próprio partido.
 
Novidade no quadro eleitoral, Joaquim Barbosa roubou votos de Alckmin. Mas o cenário ainda é incerto. O PSB não confirma o ex-ministro do Supremo como candidato, mas comemora os índices alcançados por ele. A presença de Barbosa pulveriza ainda mais os votos entre os candidatos de centro. Há nomes, como o do presidente Michel Temer (MDB, em um cenário), do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB, em outro cenário) e do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM), que não deslancharam e aparecem com 1% cada um dos três.
 
Uma solução para salvar a candidatura de Alckmin foi sugerida por um dos principais nomes do PSB. O governador do Estado de São Paulo, Márcio França (PSB) - até semana passada vice do tucano -, defende que seu partido se una à candidatura do PSDB e Joaquim Barbosa integre a chapa encabeçada por Alckmin. Com o ex-presidente do Supremo - que ganhou notoriedade no julgamento do Mensalão do PT - como vice, o ex-governador pode atingir um eleitorado que resiste à sua figura. Desta forma, a salvação da candidatura do PSDB pode vir do mesmo PSB desprezado pelos tucanos em São Paulo. O pior prejudicado foi o próprio França, que contava com o apoio de Alckmin e de seu partido na sua candidatura ao governo paulista. Mas o PSDB ignorou a espécie de “acordo de cavalheiros” para lançar a candidatura do ex-prefeito de São Paulo João Doria.
 
França tenta salvar a candidatura de Alckmin numa espécie de vingança autodestrutiva contra Doria. O fracasso do ex-governador pode ser a ascensão de Doria à corrida pelo Palácio do Planalto. Ao emplacar Barbosa como vice de Alckmin, França mantém seu “ex-chefe” vivo na disputa. Mas conserva Doria no seu encalço, o que pode significar sua derrota na tentativa de se reeleger.

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