É chegada a hora do basta


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NÃO ADIANTAm LEIS RÍGIDAS E PUNIÇÕES SEVERAS SE NÓS NÃO MUDARMOS 
Em menos de 100 dias, 17 vidas foram ceifadas no trânsito de Franca. Jovens que tinham sonhos a realizar; pais que tinham filhos a criar; quase duas dezenas de histórias que tiveram um ponto final, ainda no início ou no meio de seus enredos ainda em construção. Os índices alarmantes de acidentes no município chocaram a população francana. Incrédula, a cidade testemunha dia após dia as tragédias estampadas no noticiário e clama por uma solução. Solução que depende pura e somente dos próprios condutores de veículos automotores e dos pedestres. Autoridades em trânsito e em comportamento humano são unânimes: não adiantam leis rígidas e punições severas se nós não mudarmos a nossa mentalidade.
 
O Comércio conta hoje a história de Milena Fernandes Águida, de 31 anos. Em sua breve vida, teve os filhos Larissa Fernandes Chinaglia, de 14 anos, Victor Hugo Fernandes Chinaglia, 10, e Danielly Fernandes Campos, 4. Cursava direito na Unifran, pela manhã, e trabalhava na banca de pesponto da família, à tarde. Nos intervalos, cuidava dos filhos. E foi buscando a filha na escola, na hora do almoço, que teve sua moto atingida por um carro que não respeitou o sinal de parada obrigatória. Morreu 24 horas depois. “Foi muito difícil explicar o que aconteceu. Por imprudência desse homem, três crianças ficaram órfãs”, disse a irmã da vítima Elaine Cristina Fernandes (leia na Página 12A). Ao resgatar a história de Larissa, a reportagem expõe a tragédia que um simples descuido, desatenção ou o grave desrespeito às regras de trânsito causam nas famílias das vítimas. Um acidente não é apenas um número, uma avaria nos veículos. O potencial de letalidade é enorme, daí todo o cuidado ser pouco.
 
“Que as pessoas comecem a avaliar suas formas de conduzir um veículo, pensando que, querendo ou não, andamos ‘armados’ no trânsito todos os dias. Acredito que a solução aqui não seja a luta por leis mais rígidas, ou punições mais severas, e sim uma nova educação no trânsito”, aponta a psicóloga Lauane Silva, como uma das saídas para interromper para essa carnificina sobre rodas. “Nada não adiantará muito se as pessoas não respeitarem as normas de trânsito. A imprudência, em atos como não respeitar a sinalização, beber e dirigir em alta velocidade, é o que causa a maioria dos acidentes. A educação dos condutores precisa mudar”, completa o tenente Régis Mendes, do pelotão de Trânsito da Polícia Militar em Franca.
 
Se tudo continuar como está, amanhã a vítima ou o causador da morte pode ser qualquer um de nós. É chegada a hora da guinada. Chegou a hora de dar um basta na violência no trânsito.

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