DORIA E FRANÇA INICIARAM A TROCA DE FARPAS A QUATRO MESES DA CAMPANHA
As trocas de comando no governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo, na sexta-feira da semana passada, foram ofuscadas pela expedição do mandado de prisão contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e sua reclusão no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo (SP). Há uma semana, Geraldo Alckmin (PSDB) deixou o Palácio dos Bandeirantes para concorrer à presidência da República. Em seu lugar, assumiu o então vice, agora governador Márcio França (PSDB). Já João Doria (PSDB) renunciou à Prefeitura paulistana, deixando a cadeira para Bruno Covas (PSDB). Doria disputará o governo do Estado, assim como França. Assim, no combate, estarão o pupilo e o vice de Alckmin. O caminho do ex-prefeito até sua pré-candidatura foi marcado por uma série de polêmicas. Superadas, tratou logo de criar outra. A baixaria começou.
Desde que conseguiu ser o pré-candidato do PSDB ao governo paulista, Doria começou uma campanha em que tenta associar a imagem de França à extrema esquerda. No ataque mais incisivo, durante uma entrevista na última quinta-feira, à rádio Jovem Pan, o ex-prefeito fez um trocadilho com o sobrenome de França. Ironicamente, se referiu ao governador como “Márcio Cuba” - corrigiu-se em seguida. Afirmou ainda que o pessebista idolatrava Lula. Os ataques ao PT, inclusive, acompanham Doria desde sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, quando derrotou o petista Fernando Haddad. No caso mais recente, na prisão do ex-presidente - quando a maioria dos políticos, de praticamente todos os partidos, lamentou o fato, não pelo personagem, mas pela figura ocupada por ele -, Doria lançou nas redes sociais um vídeo em que comemorava a prisão com duros ataques a Lula.
Doria tenta, agora, jogar contra seu adversário - um dos principais articuladores de sua campanha à Prefeitura há dois anos - os eleitores de Alckmin. França reagiu. Também com ataques. Classificou seu mais novo inimigo de “mimado” e foi além, ao comentar a entrevista: “É lamentável que o ex-prefeito, que abandonou sua função, venha em público falar isso como falou ontem. Desequilibrado, parece possuído, uma coisa esquisita.” O governador também pediu que seus advogados acionassem a Polícia Civil para investigar se Doria cometeu crime ao fazer as acusações, que classifica como “mentira”.
A campanha eleitoral começa apenas no dia 16 de agosto. Portanto, daqui a quatro meses. E, a se levar em conta o circo da primeira semana desta pré-campanha, os eleitores paulistas terão de ter estômago para acompanhar a baixaria até o dia 7 de outubro - data das eleições.
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