GOVERNO ANUNCIOU ONTEM SALÁRIO MÍNIMO DE R$ 1.002; MAS É PROJEÇÃO
A equipe econômica do Governo Federal apresentou nessa quinta-feira o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018. Na peça, estão os parâmetros e as metas fiscais para o próximo ano. Entre estimativas de receitas e de gastos, está previsto um salário mínimo de R$ 1.002 - acima de R$ 1 mil pela primeira vez. A marca histórica seria motivo de comemoração, não fosse pela forma como o valor é calculado e pela experiência recente vivida pelos 45 milhões de brasileiros que têm seus salários, aposentadorias, pensões ou benefícios atrelados ao valor do mínimo. Descartando isso, porém, a simples quebra da marca dos R$ 1 mil não é suficiente para aliviar o bolso da população. De acordo com estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em março deste ano, o valor ideal seria de R$ 3.706,44.
No ano passado, o Ministério do Planejamento, ao lado da pasta da Fazenda, projetava um salário mínimo de R$ 969 para este ano. O valor foi reduzido em R$ 4 no mês de outubro, para R$ 965. No fim, acabou fixado em R$ 954 - R$ 15 a menos que o previsto na LDO e apenas R$ 17 a mais que o anterior. A redução deve-se à fórmula de correção utilizada pelo Governo Federal - a inflação registrada no ano anterior mais o PIB (Produto Interno Bruto) dos dois últimos anos. A equipe econômica prevê um aumento para 2019 de 5,03% no mínimo. Neste ano, foi apenas 1,81%. Com a inflação atingindo mínimas históricas, mês após mês, e a economia ainda patinando, o risco de 2018 repetir 2017 é grande.
Não bastasse a aparente projeção superestimada, o brasileiro que depende do mínimo ainda enfrenta o valor deficitário. Segundo o Dieese, o mínimo pago hoje representa apenas 25% do total necessário para uma família formada por quatro pessoas suprir as despesas com alimentação, educação, higiene, lazer, moradia, previdência, saúde, transporte e vestuário. Grande parte deste déficit é decorrente dos gastos com produtos e serviços cujos valores são controlados pelo próprio Governo Federal. Vide os casos dos combustíveis e da energia elétrica. No mesmo dia em que a projeção do governo foi anunciada, o preço dos combustíveis nas refinarias atingiu o maior valor desde que a Petrobras adotou a política de reajustes diários, de acordo com a cotação internacional do petróleo, em julho de 2017. Já pagamos o preço mais alto da história pelo litro da gasolina e do etanol nos postos de Franca. E com a tensão na Síria, tudo indica que novos recordes estão por vir. Antes disso, no último domingo, passou a vigorar o aumento de 20,17% nas contas residenciais de luz, em Franca e região - aumento autorizado pela agência federal que regula o setor de energia elétrica.
Desta forma, se confirmado, o salário mínimo de R$ 1.002 terá apenas efeito psicológico, uma vez que em nada mudará a situação financeira de milhões e milhões de lares brasileiros.
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