Michel TEMER CONCLAMA POLÍTICOS CONTRA A DESVALORIZAÇÃO DA CLASSE
Durante pelo menos dois eventos nesta semana, o presidente Michel Temer (MDB) conclamou parlamentares a se defender do que ele classifica como desvalorização da classe política. O primeiro chamado pela “reação” dos políticos foi em um encontro com a bancada do PR no Congresso Nacional, na última terça-feira. Ontem, foi em uma solenidade de criação de duas universidades federais no Nordeste. “Ao longo desses últimos tempos vocês sabem que a classe política tem sido desvalorizada e se nós não levantarmos a voz - e aqui eu a levanto no maior nível possível, e espero que os senhores usem a tribuna a todo momento para fazer essa defesa”, discursou Temer. A questão é como se defender do indefensável?
Para usar uma fala do símbolo maior de como a política nacional - salvo raríssimas exceções - está atrelada à corrupção, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), “nunca antes na história deste País”, tantos políticos foram formalmente acusados de crimes contra a administração pública como agora. Grande parte, aquele que não está protegida pelo foro privilegiado, foi parar atrás das grades. Exemplo mais significativo e recente é o próprio petista. Temer, inclusive, alvo de duas denúncias, só continua no poder porque os deputados federais o livraram, temporariamente das investigações. Um presidente da República em exercício só pode ser alvo de inquérito por crime comum no Supremo Tribunal Federal ou crime de responsabilidade no Senado, com o aval da Câmara. Sem o consentimento, a apuração das denúncias - na esfera criminal - fica suspensa até que o acusado deixe o poder.
Assim como Temer, há algumas dezenas de senadores, deputados e ministros que, nestes casos, contam com a letargia oriunda do foro privilegiado - que permite apenas serem investigados pelo Supremo - para estarem ocupando cadeiras no Congresso ou na Esplanada do Ministério, em vez de pagando por seus crimes atrás das grades. O mesmo se aplica a governadores de Estado, que só podem ser investigados pelo Superior Tribunal de Justiça. Enquanto se escondem sob seus cargos para continuarem vivos na política, agora os ratos da República também devem - como orienta Temer - usar suas funções públicas em defesa da classe, numa espécie de corporativismo da corrupção.
Políticos corruptos devem ser varridos do cenário nacional. Em vez de tentarem se autodefender e, assim, buscarem a perpetuação no poder, os que se dizem sérios deveriam se defender na Justiça. E, somente depois de provada a alegada inocência, voltarem à política. Mas esta é a maior das utopias que poderíamos fantasiar. Como Papai Noel não existe, a faxina nacional cabe a cada eleitor. E a data da grande limpeza já está marcada: 7 de outubro de 2018.
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