Em uma tensa assembleia realizada ontem à noite, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais decidiu aceitar a proposta oferecida pela Prefeitura e fechou o acordo salarial. As negociações se arrastavam há um mês e haviam provocado um dia de paralisação de advertência, na última quinta-feira. A categoria ameaçava entrar em greve geral se não houvesse avanço na proposta do governo. A melhora no valor do cartão-alimentação foi decisivo para o martelo ser batido.
A baixa adesão na assembleia foi um indicativo de que os servidores não estavam dispostos a cruzar os braços para forçar a Prefeitura a melhorar a proposta. Dos 4,7 mil funcionários do município, apenas 75 foram à reunião realizada na sede do Sindicato.
O presidente da entidade, Luís Fernando Nascimento, anunciou a nova proposta que havia sido feita pela Prefeitura minutos antes: reajuste no valor do cartão-alimentação, antes proposto em R$ 370, para R$ 390 até dezembro e para R$ 410 entre janeiro e abril do ano que vem, quando será feita nova negociação. O abono escolar foi fixado em R$ 275.
O índice de reajuste salarial proposto pela Prefeitura foi mantido em 1,81%, o que corresponde à inflação do período. Não haverá aumento real. Segundo a administração municipal, a baixa arrecadação de Franca impossibilita oferecer mais. A Prefeitura também concordou em conceder seis faltas abonadas para os servidores. O dia parado na quinta-feira, quando ocorreu a greve de advertência, não será descontado.
A proposta foi submetida à apreciação dos servidores presentes. A maioria, 57, decidiu aceitar. Os outros 18 não concordaram. Voto vencido, um funcionário do setor de Educação saiu fazendo ofensas ao presidente e prometendo nunca mais pisar na sede do Sindicato. “Não foi o que gente gostaria, mas houve avanços. A gente convoca os servidores para nossas reuniões, mas poucos aparecem. Quem participa das assembleias é quem decide, e a maioria resolveu aceitar os valores oferecidos pelo governo. O pessoal estava receoso em parar”, disse Nascimento.
Segundo o sindicalista, a falta de disposição dos funcionários em brigar por melhores valores pesou para que a possibilidade de greve não se concretizasse. “Se fizer uma paralisação com pouca gente, não vamos atingir os nossos objetivos. Para uma greve ter efeito, pelo menos 2,8 mil servidores deveriam vir para a rua. Só assim, a gente conseguiria fazer peso e apertar a administração.”
Com a decisão da assembleia, o acordo será redigido, homologado e encaminhado à Câmara, para aprovação.
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