Pediatra alerta sobre perigo da amamentação cruzada


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A pediatra Andréa Souza e a enfermeira Ana Luiza Castro, do Banco de Leite, falam sobre perigo da amamentação cruzada
A pediatra Andréa Souza e a enfermeira Ana Luiza Castro, do Banco de Leite, falam sobre perigo da amamentação cruzada
Uma cena da novela global O Outro Lado do Paraíso, que faz sucesso no horário nobre da emissora, chamou a atenção na semana passada. Nela, o médico Samuel (Eriberto Leão) oferecia o leite de sua mulher Suzy (Ellen Rocche) para alimentar o filho recém-nascido de outra personagem. A ação, chamada de amamentação cruzada, na verdade, é considerada perigosa e é contraindicada pela Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e também pela Sociedade Brasileira de Pediatria, já que pode transmitir doenças infectocontagiosas para o bebê.
 
Após a cena, o assunto veio à tona e levantou um debate, especialmente entre os profissionais que trabalham diretamente com mães e recém-nascidos, que lutam para que tudo o que foi conquistado nas últimas décadas não seja perdido.
 
“Muito comum antigamente a atitude, que pode parecer gentil e normal, na verdade é extremamente contraindicada. A amamentação cruzada, que é quando uma mulher amamenta diretamente do peito o filho de outra, não deve ser realizada em hipótese alguma. Na verdade, desde os anos 1980, quando surgiram o HIV e também outras doenças que podem ser facilmente transmitidas pelo aleitamento, existe uma luta muito grande para colocar isso na cabeça das pacientes”, disse Andréa Cristina Junqueira Souza, pediatra que atende na Santa Casa de Franca.
 
Enfermeira responsável pelo Banco de Leite da Santa Casa, que atende a demanda do próprio hospital, além do Hospital e Maternidade Regional e também o São Joaquim/Unimed, Ana Luiza Elias de Castro afirma que o tipo de mensagem passada pela novela é um “desserviço” para a comunidade e prejudica todo o trabalho realizado nos últimos anos no que se refere à amamentação cruzada. “Essa é uma luta antiga e, com esse tipo de informação, perdemos tudo que foi conseguido nos últimos anos. Para o Banco de Leite são realizados diversos exames, além de ser feito um processo bem rigoroso para garantir que o leite que será doado para as crianças que precisam esteja dentro das melhores condições”, disse.
 
No Banco de Leite, que recebe em média 60 litros de leite por mês, um processo minucioso garante que o alimento que será destinado aos bebês esteja livre de bactérias e vírus. “O Brasil tem boas redes de banco de leite que garante que as crianças tenham acesso ao material em condições ideais, por isso acho importante que as pessoas tenham a consciência de que não é indicada a amamentação cruzada e dos riscos que ela pode trazer”, disse a pediatra Andréa Souza.

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