Ataques e tentativa de evitar o óbvio


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Lula está preso. A imprensa, livre. Estará o Brasil livre dele?
Desde que o juiz Sérgio Moro determinou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil testemunhou o petista a tentar dar o ‘golpe’ - para usar uma palavra que os militantes tanto repetem - na Polícia Federal, na Justiça brasileira, em cada um de nós brasileiros. Após um discurso de quase uma hora, em que acalorou ainda mais os ânimos e prometeu se entregar, todos os fatos que se seguiram levam a deduzir que tudo fora tramado para, em mais um dia, evitar a prisão do ex-presidente, condenado a 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
 
O prazo dado pelo juiz da Justiça Federal do Paraná, que concentra os processos da Operação Lava Jato, venceu às 17 horas da última sexta-feira. Lula não o fez. Combinou-se, num esforço da garantia de segurança dos asseclas e do próprio condenado, que a apresentação de Lula se daria neste sábado. Nada foi respeitado. Mas o que esperar? Lula saiu a pé para se entregar por volta das 18h45, depois de uma patética tentativa de ir de carro- cerca de duas horas antes- da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo. Foi preso após quase 26 horas do prazo dado pela Justiça. Lula estava preso. 
 
Toda a deferência deveu-se ao cargo ocupado por duas e seguidas vezes pelo petista, entre 2003 e 2010. A entrega do condenado deu-se, tão somente, pelas consequências jurídicas que a resistência poderiam causar ao ex-presidente. A defesa de Lula conseguiu convencer a militância petista que entregar-se era a melhor e menos danosa, para eles, decisão. Lula foi preso.
 
Tímidos e espaçados sons de fogos de artifício soaram pelo céu de Franca. O Brasil assistiu ao vivo, graças à imprensa tão atacada pelo PT e no discurso de Lula no que seria um ato em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, à prisão de um ex-presidente da República, que contra a República se corrompeu passivamente e lavou dinheiro. 
 
“Tenho mais de 70 horas de Jornal Nacional me triturando. Eu tenho mais de 70 capas de revistas me atacando. Eu tenho mais de milhares de páginas de jornais e matérias me atacando. Eu tenho mais a Record me atacando. Eu tenho mais a Bandeirantes me atacando. Eu tenho mais a rádio do interior, a rádio do [inaudível]. E o que eles não se dão conta é que quanto mais eles me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro.  Eu não tenho medo deles”, disse Lula na suposta homenagem à sua ex-mulher.
 
Lula não tem medo da imprensa, a imprensa muito menos dele. Lula está preso. A imprensa, livre. Estará o Brasil livre dele?

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