Família de mulher morta por inquilinos clama por justiça


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Acusados foram levados à delegacia; Juvenil Soares ficou preso e sua mulher foi liberada
Acusados foram levados à delegacia; Juvenil Soares ficou preso e sua mulher foi liberada
“Queremos justiça”. Foi dessa forma, e com a voz embargada, que os filhos de Elaine Cristiane César da Silva, 44, definiram o que esperam que aconteça após o assassinato da mãe, no dia 28 de março. Ela foi morta com pelo menos 15 facadas pelos próprios inquilinos. Um deles está preso e a outra acusada está solta. 
 
Elaine morava com o filho, Luís Felipe Coelho, em uma casa do Jardim Aeroporto III. Sofria de câncer nos ossos e lutava contra a doença há um tempo. Há dez meses, alugou dois cômodos para ajudar Juvenil de Souza Soares e Ana Paula Barbosa Aguiar, um casal de moradores de rua e usuários de drogas. Para ajudá-los, cedeu dois cômodos para que eles ali residissem. O acordo foi de que, ao invés de pagar o aluguel, deveriam fazer a reforma da cozinha do imóvel. “A família do Juvenil insistiu, por mais de uma vez, pois eles moravam na rua e a Ana estava grávida. Como já havia perdido três filhos e os familiares temiam que isso acontecesse de novo, pediram ajuda e minha mãe aceitou na esperança de contribuir para que eles ficassem com a criança, que estava sob cuidados do Conselho Tutelar”, explicou Karla Silva, filha da vítima.
 
Não demorou para que os problemas começassem a aparecer na vida de Elaine. Segundo os filhos, além da doença, ela também precisou lidar com outra questão: as constantes brigas do casal. “Às vezes, minha mãe tentava ajudar. Certa vez, o Juvenil bateu muito na Ana e ela interferiu”, disse Luís Felipe. Karla relembrou a última vez que viu a mãe, no dia 23 de março, e contou que a acusada havia apanhado. “Ela estava cheia de hematomas em razão de uma agressão por parte dele”.
 
Essas confusões entre os desempregados pioraram pouco antes da morte de Elaine. Segundo Karla, a dona de casa enviou um áudio para uma vizinha se queixando. “Ela estava com muita dor e falou que não aguentava mais a situação. Nessa gravação também dá para ouvi-los brigando ao fundo. Acho que minha mãe resolveu pedir a casa e eles se revoltaram”.
 
A morte
Ainda de acordo com os filhos, após o áudio, a vizinha teria ouvido Elaine pedir por socorro. “Ela disse que foi até o portão e o Juvenil segurou para que não entrasse. Falou para ‘ficar de boa’ (sic.) e depois já não ouviu mais nada”. Pouco depois, eles receberam a notícia de que a mãe teria sido assassinada e os responsáveis seriam os inquilinos, detidos na rodovia Rionegro e Solimões, nas proximidades de uma churrascaria, enquanto tentavam fugir. Estavam com o celular da vítima e Juvenil assumiu ser o autor do crime. A faca utilizada foi localizada dentro da botina do acusado, na carroceria de um caminhão.
 
Levados até a delegacia, os desempregados deram suas versões dos fatos. Juvenil afirmou que “Elaine vivia fazendo graça”. Ana Paula, que estava com ferimentos em uma das mãos, negou participação. “Eu me machuquei quando fui tentar separar a briga deles. Ela estava fazendo inferno para nós dois e foi quem se deu mal.”
 
Revoltados com a morte da mãe, Luís Felipe e Karla protestaram pela liberação de Ana Paula horas após o assassinato. “É um absurdo que esteja solta”, disse a jovem, que fez um pedido. “Queremos que ele seja condenado e ela também pague pelo que fez”.

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