Não são as armas de fogo a principal causa de letalidade violenta em Franca. É mais arriscado morrer em cima de uma moto do que com um tiro de revólver ou com uma facada. Nos três primeiros meses do ano, foram registrados seis assassinatos na cidade. São pessoas que morreram por causa de desentendimentos ou em ocorrências de latrocínio. No mesmo período, os acidentes envolvendo motos fizeram dez vítimas fatais.
De acordo com os dados oficiais utilizados pelas autoridades, os acidentes de trânsito mataram 47 pessoas em Franca no ano passado. Vinte e uma vítimas fatais estavam em motos. Este ano, dez motoqueiros já morreram nas ruas da cidade. Em média, é uma morte a cada dez dias. “A situação é preocupante. Se a proporção se mantiver, a tendência é de que os números de 2017, que já foram altos, sejam superados”, afirma o tenente Régis Mendes, comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar.
A explosão dos casos de mortes sobre duas rodas ocorre, justamente, no período em que a PM, a Prefeitura e o movimento Mulheres do Brasil realizam campanha para tentar reduzir o número de feridos e de óbitos. A ação prevê a realização de palestras e distribuição de cartazes com dicas de prevenção nas fábricas de calçados, empresas de entrega, mototáxis e repartições públicas. “Por conta do aumento das ocorrências, também intensificamos a Operação Direção Segura que consiste no uso do bafômetro. Infelizmente, constatamos que, em parte das mortes, os condutores estavam embriagados. Também estamos direcionando as abordagens aos motociclistas, especialmente, aos jovens do sexo masculino”.
Levantamento realizado pela PM mostra que 71% das vítimas que morreram em Franca, no ano passado, em acidentes envolvendo motos eram homens. 66% dos mortos tinham menos de 30 anos. Dos dez mortos este ano, nove eram homens. Excesso de velocidade e desrespeito às regras de trânsito são as principais causas das ocorrências.
Em comentários feitos no portal GCN referentes à reportagens sobre o tema, motociclistas reclamam da conduta de motoristas que não respeitam as motos e ignoram as setas e retrovisores. “Não acho que essa campanha tem que ser voltada apenas para os motociclistas apesar de reconhecer que há muitos malucos por aí de duas rodas, mas ainda assim são minoria. A campanha tem que ser voltada para todos no trânsito e não como está sendo executada”, postou Daniel Carvalho.
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