No caderno Equilíbrio (Folha de S. Paulo, 20/02/2018), na sua coluna quinzenal, a antropóloga Mirian Goldenberg relata que o gerontólogo e pesquisador inglês Dr. Aubrey de Grey propõe que, com as conquistas tecnológicas, a descoberta do DNA, a nanotecnologia e as células tronco, o homem não envelhecerá e que, no futuro, poderá viver até 1000 anos. Segundo a colunista, De Grey, em palestra realizada no Brasil no ano passado, teria enfatizado que a substituição de órgãos será comum e se fará com segurança quase absoluta, tanto quanto a utilização de células-tronco.
Eis aí o tão sonhado “elixir da longa vida” a propiciar-nos a “eterna juventude”. Todavia, convenhamos, tal conquista humana poderá provocar o surgimento de alguns problemas. O de maior expressão seria o inchaço populacional, cuja densidade tornaria impossível a acomodação de tanta gente de forma a atender às naturais circunstâncias socioeconomicogeográficas, especialmente se considerarmos que há estudos que mostram que, nesse aspecto, o planeta já está no limite.
É evidente que será um desafio à inteligência e à criatividade do homem, mas, por agora, saltam-nos as indagações: como alimentar tanta gente por tanto tempo? Como dividir o trabalho? E o transporte?
Consideremos, porém, que, ainda que a vida se prolongue por tanto tempo (o que não é inédito, pois Matusalém, segundo a Bíblia, teria vivido 900 anos), sempre haverá um momento em que o corpo físico há de morrer, porque somos espíritos, cuja dimensão efetiva é a espiritual, para a qual retornaremos, para o cumprimento da vida eterna.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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