Um ex-presidente na cadeia


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MAIS QUE FESTA OU LUTO, A PRISÃO DEVE SER MOTIVO DE REFLEXÃO
 
Se nada mudar, o Brasil vai assistir nesta sexta-feira, 6 de abril de 2018, à prisão de um ex-presidente da República. Tal fato demonstra a que ponto a corrupção chegou no País. O principal líder da esquerda nacional, que lutou pela remocratização do País, que disputou por três vezes, sem sucesso, o comando da nação, sendo eleito na quarta tentativa e reeleito depois, deixando o governo depois de oito anos com quase 90% de aprovação, em 2010, estará hoje atrás das grades. Luiz Inácio Lula da Silva traiu milhões e milhões de brasileiros que viram nele um líder. Luiz Inácio Lula da Silva traiu a sua própria história.
 
O líder nato e carismático deu lugar ao líder de uma facção criminosa. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Investigações da Polícia Federal - a quem ele próprio, quando presidente, deu autonomia de ação - e do Ministério Público Federal apontaram que o petista recebeu um tríplex no Guarujá (SP), no litoral paulista, como forma de propina da empreiteira OAS, em troca de vantagens em contratos com a Petrobras. A Justiça Federal em Curitiba (PR), onde se concentram as ações da Operação Lava Jato, o condenou a nove anos e meio de prisão. A defesa do ex-presidente recorreu ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre (RS). Os desembargadores não só confirmaram a condenação, como aumentaram a pena. Lula, então, tentou um habeas corpus preventivo no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal). O recurso foi negado em ambas as Cortes: Lula deve ser preso.
 
A ordem de prisão foi dada no final da tarde de ontem. Comemoração de parte do Brasil; ira por parte dos petistas. O País altamente polarizado - motivado muitas vezes por discursos do próprio Lula - celebra ou vocifera contra o mandado expedido pela Justiça Federal no Paraná. Mais que festa ou luto, a prisão do ex-presidente deve ser motivo de reflexão. Devemos lamentar que a podridão que corroeu e corrói os cofres públicos tenha chegado ao cargo máximo da República - talvez até sido comandada de lá. Devemos, porém, comemorar que o rigor da lei começa a se impor a todos. Desde o mais simples brasileiro até o comandante da Nação.
 
Que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva seja um marco na história deste País tão combalido pelas mazelas de seus administradores. Que a prisão sirva para nós, eleitores, como um alerta na hora de escolhermos nossos representantes. E o mais importante: que sirva para que deixemos de lado esse clima de rivalidade futebolística no campo político. Que nossas escolhas em outubro próximo sejam regidas pela razão e não paixão ou ódio partidário. Sob pena de elegermos um novo Lula.

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