Protesto dos servidores suspende aulas e afeta UBSs


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Movimentação dos servidores municipais em frente à Prefeitura, na manhã dessa quinta-feira
Movimentação dos servidores municipais em frente à Prefeitura, na manhã dessa quinta-feira
Quem precisou de atendimento nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e nos prontos-socorros e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) precisou ter paciência nessa quinta-feira. Por conta da paralisação de advertência feita ontem pelos servidores municipais, todas as unidades tiveram problemas e, em boa parte, o expediente terminou mais cedo. 
 
Nas escolas municipais, não foi diferente. Sem merendeiras e professores, as unidades acabaram dispensando os alunos tanto do período da manhã quanto da tarde. 
 
Segundo um balanço preliminar do Sindicato dos Servidores Municipais, mais de 2 mil dos 4,7 mil servidores cruzaram os braços ontem. “A adesão foi maior do que esperávamos, o que mostra a insatisfação da categoria com a forma como as negociações para o acordo salarial vêm sendo conduzidas por parte da Prefeitura”, disse o presidente da entidade, Luís Fernando Nascimento. 
 
A paralisação começou por volta das 7h30. Parte dos servidores se deslocou para a frente do Paço Municipal, onde cantaram paródias alusivas ao prefeito Gilson de Souza e fizeram batucadas e apitaços até por volta do meio-dia. O grupo chegou a interditar a avenida Presidente Vargas, nos dois sentidos em frente ao Paço.
 
A reportagem visitou a UPA do Jardim Aeroporto. Lá, apesar de todos os médicos estarem atendendo, a sala de espera estava lotada pela manhã e havia filas. Segundo os pacientes que aguardavam atendimento, a espera pela consulta já passava de duas horas e meia. 
 
Na UBS da Vila São Sebastião, pela manhã, apenas 14 dos 38 servidores estavam trabalhando. Não havia médicos. O atendimento foi encerrado três horas mais cedo, às 16 horas. Na unidade, não foram feitos curativos ou vacinas.
 
Na unidade do Leporace, o atendimento pela manhã foi apenas dos agendamentos já feitos para consultas. Vacinas, curativos ou qualquer outro atendimento não foi realizado. A triagem era feita no portão de entrada. 
 
Uma das prejudicadas foi Elcimara Diniz da Silva Santos, de 34 anos. Ela foi de manhã levar o filho Nicolas, de apenas dois meses, para tomar vacina na unidade do Leporace, mas não conseguiu ser atendida. “Acho revoltante porque moro longe, vim a pé, debaixo do sol, com uma criança de dois meses e agora terei de voltar para casa sem conseguir a vacina. É um desrespeito”, disse.
 
Nas escolas municipais, a grande maioria funcionou apenas com os servidores em cargo de comissão. Não houve aulas. 
 
Nos demais setores, segundo o sindicato, a adesão foi menor, mas também houve paralisações nos setores de serviços e assistência social. 
 
O presidente do Sindicato disse que agora espera uma nova proposta por parte da Prefeitura até terça-feira, quando uma nova assembleia da categoria será realizada. “Se não houver proposta, discutiremos a possibilidade de decretar greve, mas acredito que ainda haja espaço para negociação.”
 
O secretário de Recursos Humanos, Alberto Donha, concedeu uma entrevista coletiva (leia texto nesta página) e disse que é possível ampliar a proposta já apresentada aos servidores. Os servidores pedem 20% de aumento, cartão-alimentação de R$ 600 e abono escolar de R$ 350. A Prefeitura ofereceu reajuste de 1,81%, cartão de R$ 370 até dezembro e R$ 380 a partir de janeiro e abono escolar de R$ 275.
 
‘Não temos como chegar ao que pedem’
O secretário municipal de Recursos Humanos, Alberto Donha, concedeu entrevista coletiva no final da manhã de ontem para comentar a paralisação dos servidores. Segundo Donha, a situação financeira da Prefeitura não permite que as reivindicações da categoria sejam atendidas. “Não temos como chegar a um percentual de 20% de aumento, um reajuste de 70% no cartão-alimentação. Isso é impossível.”
 
O secretário afirmou que, apesar não ter condições de atender as reivindicações, a Prefeitura pode melhorar a proposta já apresentada. “Temos como melhorar, sim. Mas não posso adiantar nada sem antes falar com o prefeito, que ainda está em São Paulo”, disse, sem revelar detalhes. 
 
Donha ainda deixou claro que as negociações continuam. “Vamos, sim, continuar tentando chegar a um consenso. Não encerramos as negociações. Precisamos conversar mais.”
 
Ele também descartou a possibilidade de levar a discussão à Justiça neste momento. “Acho prematuro”.
 
Donha pediu paciência aos servidores. “Estamos estudando o que podemos fazer. Os servidores merecem um reajuste melhor, mas precisamos ver os números e estudar possibilidades antes de fechar um acordo. Isso leva tempo, porque teremos que tirar o dinheiro de outras áreas e programas para direcionar ao pagamento dos servidores. Não é uma decisão fácil.”
 
Ele garantiu que até a tarde da próxima terça-feira apresentará aos servidores uma nova proposta. “Estou apenas aguardando o retorno do prefeito, que está em São Paulo.”

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