É dos pedestres, motoristas e motociclistas que deve partir a reação
Franca acompanha atônita à escalada das mortes no trânsito da cidade. Em apenas 93 dias, entre 1º de janeiro e 3 de abril de 2018, 16 vidas foram ceifadas em rodovias, ruas e avenidas do município. A triste estatística só faz crescer, em meio a tentativas das autoridades - até aqui inócuas - de tentar frear a guerra sobre rodas. A realidade das ocorrências registradas em Franca aponta para uma única direção: a imprudência dos condutores de veículos e também dos pedestres.
Reportagem publicada nessa quarta-feira por este Comércio aponta que 11 das 16 vítimas até agora eram motociclistas. A mais recente era uma jovem sapateira, mãe de três filhos, que vivia o sonho de cursar a faculdade de Direito. Milena Fernandes Águida, de 31 anos, transitava com sua motocicleta pela avenida Distrito Federal, no bairro Santo Agostinho, na tarde da última segunda-feira, quando, em um cruzamento, foi atingida por um carro cujo motorista não teria respeitado o sinal de parada obrigatória. Começava aí uma luta pela vida. Socorrida com fraturas em uma das pernas, a jovem teve o membro amputado. A violência da colisão também ocasionou uma hemorragia. Enquanto tentavam entender a tragédia e pediam orações para a recuperação de Milena, familiares faziam uma campanha por doações de sangue. A batalha durou quase 24 horas. A jovem mãe de uma adolescente de 15 anos e duas crianças de 12 e 4 anos não resistiu. Morreu no início da tarde de terça-feira.
O trauma da família de Milena é o mesmo de muitas outras em Franca e de todo o País. São vítimas de motoristas imprudentes, que não respeitam as leis de trânsito, ignoram as sinalizações, abusam da velocidade ou, até mesmo, se distraem por um segundo e acabam com uma vida e destroem futuros. De nada adianta a Prefeitura instalar lombadas e lombofaixas por toda a cidade, de nada adianta a sinalização, se o motorista não respeitá-las. Como também são em vão as ações do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, com fiscalizações rotineiras e o uso de radares, se os condutores de veículo apenas cumprem as regras quando se aproximam dos policiais. Campanhas de conscientização, como a que a PM desenvolve desde fevereiro com foco nos motociclistas e a que a Prefeitura promove com vistas à utilização correta das lombofaixas e faixas de pedestres, também são importantes. Mas, assim como a sinalização e a fiscalização, não é o agente que vai salvar vidas.
Vidas só serão preservadas se os condutores dos veículos e os pedestres forem os agentes da transformação de si mesmo. E é dos pedestres, motoristas e motociclistas que deve partir a reação para que novas tragédias sejam evitadas, sob risco de serem eles próprios as próximas vítimas.
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