Efeito Doria no ninho tucano


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ALINHADOS A FRANÇA, TUCANOS DAS MAIS ALTAS PLUMAGENS DEIXAM O PARTIDO
Ao lançar João Doria candidato a prefeito de São Paulo, em 2016, o PSDB via no nome do “não-político” um tiro certeiro para conquistar a Prefeitura da maior cidade do País. Estavam certos. O empresário, que é filiado ao partido desde 2001, venceu a eleição ainda no primeiro turno, feito que não acontecia na disputa paulistana desde 1992. Dois anos depois, Doria vai deixar o comando da cidade para disputar o governo do Estado. E o papel de herói vai tomando sombras de vilania dentro do próprio PSDB.
 
A decisão tomada em prévias do partido desagradou tucanos das mais altas plumagens, que veem no atual vice-governador Márcio França (PSB) o candidato ideal para o Palácio dos Bandeirantes. Descontentes com a forma com que Doria conquistou a pré-candidatura, atropelando até mesmo a vontade do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), anunciaram nos últimos dias a saída do ninho. Entre eles, o deputado estadual por Franca, Roberto Engler. Um dos fundadores do PSDB, responsável por criar bases tucanas em mais de 20 cidades do Estado, Engler anunciou ontem sua filiação ao PSB, que deve acontecer nesta quarta-feira.
 
Além do deputado francano, a deserção de outro parlamentar causou ainda mais perplexidade entre os tucanos. O líder do governo Alckmin na Assembleia Legislativa, Barros Munhoz, também deixou o PSDB após 15 anos, para migrar também PSB. Os próprios tucanos estimam que cinco de seus 19 deputados estaduais deixem o partido até a próxima sexta-feira, quando fecha a janela partidária - período em que os políticos com mandados eletivos podem trocar de partido sem o risco de perderam suas cadeiras. São todos tucanos - agora ex - alinhados ao vice-governador. 
 
A saída de Engler do PSDB foi noticiada com exclusividade pelo Portal GCN, no início da tarde de ontem. Minutos depois, o deputado divulgou nota explicando seus motivos. “Após três décadas de dedicação ao PSDB, hoje, enxergo, pela primeira vez ao longo de tantos anos, que o projeto mais adequado para o desenvolvimento de nossa cidade, da nossa região e do nosso estado não está mais no partido, mas, sim, na figura de Márcio França e no PSB. É meu dever agir em conformidade com essa convicção, até mesmo para honrar a confiança em mim depositada por mais de 120 mil eleitores paulistas.”
 
O PSDB luta agora para estancar a sangria e ameaça prefeitos e outros membros do partido de expulsão caso façam campanha para França, em detrimento da candidatura de Doria. Basta saber se expulsarão também o presidente nacional do partido. Em troca de apoio para a disputa presidencial, Alckmin já anunciou que terá palanque duplo em São Paulo.

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