PARA CHEGAR AO Palácio do PLANALTO, TUCANO TERÁ DE VENCER A SI MESMO
Esta é a última semana de muitos governos. Mudanças acontecem, por exemplo, no comando do Estado de São Paulo, na Prefeitura da capital paulista e em muitos ministérios do Governo Federal. Quem pretende disputar as eleições de outubro e exercem cargos públicos devem deixar seus postos nesta semana. Vence no próximo sábado, dia 7 de abril, o prazo para desincompatibilização. Em raras exceções, a saída não é necessária - caso dos que disputarão a reeleição ou vices. Mas aqui em São Paulo, no próximo domingo, já não mais estaremos sob a batuta de Geraldo Alckmin (PSDB). Começará, de fato, a caminhada rumo ao Palácio do Planalto. Mas, para lá chegar, o tucano tem de vencer a si mesmo.
Em seus últimos dias à frente do Palácio dos Bandeirantes, o governador vive uma maratona de inaugurações, típicas de pré-campanha. Como disputará o cargo de presidente da República, o tucano deixará o Estado de São Paulo nas mãos de seu vice, Márcio França (PSB), que tentará a reeleição. Alckmin será pela segunda vez candidato ao Palácio do Planalto. Terá pela frente a missão de conquistar brasileiros de todas as regiões do País, já que sua popularidade está concentrada entre os paulistas. Seu discurso titubeante e sua figura nem um pouco carismática dificultam a infiltração de seu nome pelos rincões do Brasil.
Ao comentar os ataques à caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Alckmin disse que “o PT colhia o que plantava”. Depois, disse que a pergunta não havia sido feita de forma clara e recuou: “condeno veementemente a violência contra quem quer que seja”. Tucanos temem que o discurso inconstante de Alckmin leve à perda de votos para Jair Bolsonaro (PSL). E o centro rachado em diferentes candidaturas pode ocasionar um segundo turno entre a extrema direita de Bolsonaro e algum outro candidato de esquerda, como Ciro Gomes (PDT), por exemplo.
O problema de Alckmin começa pelo próprio Estado de São Paulo. Com a candidatura de João Doria (PSDB) a governador, rivalizando com França, o tucano viu sua base se desmantelar e terá, agora, de defender dois nomes para o Palácio dos Bandeirantes. Unir o discurso em duas candidaturas distintas será missão quase impossível na tentativa de evitar a fuga de votos.
Alckmin disputou a eleição presidencial em 2006, quando o então presidente Lula foi reeleito. Tucano e petista disputaram o segundo turno, à época, e Alckmin conseguiu a proeza de ter menos votos do que no primeiro turno. O fiasco de há 12 anos foi reflexo da figura do governador paulista, de seu discurso morno. E, agora, mais de uma década depois o temor com a falta de vontade de Alckmin de bancar uma linha mais dura volta a rondar o PSDB.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.