Paulo Antônio Skaf tem 62 anos e é considerado um dos homens mais poderosos do País. Desde 2004, é o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa por volta de 130 mil empresas que correspondem a cerca de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional. Também é o presidente do Sesi, Senai e Ciesp. É crítico da burocracia enfrentada pelos empresários, da política econômica nacional e das altas taxas de juros.
Em 2009, Skaf fez sua estreia na política ao se filiar no PSB. No ano seguinte, disputou o governo do Estado. Em 2011, migrou para o PMDB. Se candidatou também em 2014 quando recebeu 4,5 milhões de votos e chegou na segunda colocação.
No último dia 24, Skaf veio a Franca para inaugurar o novo Centro de Treinamento do Sesi. No mesmo dia, anunciou a renovação do contrato de patrocínio com o Franca Basquete por mais dois anos. Em visita à sede do Comércio da Franca, ele concedeu esta entrevista exclusiva.
O que pode nos falar sobre o CT que será entregue em Franca?
Fico muito feliz de estar em Franca mais uma vez, agora, para inaugurar o Centro de Treinamento do Sesi. Me encontrei com o jogador Leandrinho na véspera e ele me falou que o nosso CT é comparável aos CTs existentes nos Estados Unidos, ou seja, é coisa de primeiro mundo. São seis tabelas simultâneas, piso flexível, enfim, tudo o que é necessário para que os atletas possam se preparar da melhor maneira possível. Será um ganho muito grande, não só para a equipe principal, mas também para as equipes de base.
Além de ser um equipamento de primeiro mundo, o CT presta uma homenagem em vida para Hélio Rubens Garcia. O que o senhor pode nos falar em relação à escolha do nome?
O Hélio Rubens merece todo o nosso reconhecimento e é uma satisfação para nós do Sesi podermos dar essa homenagem a ele. Ele será o patrono do CT e o seu nome vai eternizar lá. Toda a história do Hélio se mistura com a história do basquete de Franca. A homenagem tem tudo a ver e é muito merecida. Estamos muito felizes de poder fazer com que as coisas aconteçam desta forma.
Referência em ensino, o Sesi também se transformou em sinônimo de esporte. A inauguração do CT é apenas mais um investimento de sua gestão....
A gente precisa fazer com que o esporte, cada vez mais, aumente mais. O esporte educa, disciplina, é saúde. Assim como temos essa referência, que é o time masculino de Franca, lançamos em Araraquara o time feminino. É importante as pessoas se distraírem e chamarem a atenção para a prática do esporte. Também tive a satisfação de assinar, nos últimos dias, cerca de dez convênios do PAF (Programa Atleta do Futuro). A gente aproveita a infraestrutura esportiva que as cidades têm, mais as escolas do Sesi e faz as parcerias com as prefeituras para a prática de esportes envolvendo crianças de 6 até a moçada de 17 anos em várias modalidades. Assinamos convênios para atender mais de 15 mil crianças. Ao todo, já temos umas 100 mil crianças praticando esporte com a metodologia, orientação e acompanhamento do Sesi sem serem alunos do Sesi. É uma forma da gente trabalhar fora dos limites das nossas escolas.O mesmo que fazemos no esporte, também fazemos na educação com o Sistema Sesi de Ensino. A gente leva a experiência do Sesi para as escolas municipais. Temos aproximadamente uns 100 mil alunos no Estado, que não são alunos do Sesi, mas que estão estudando em escolas municipais com a nossa metodologia. Estamos investindo nas pessoas de todas as formas para contribuir ao máximo com a educação completa. Temos uma escola do Sesi em Franca que é comparável com qualquer escola de primeiro mundo. Eu desafio qualquer lugar que tenho um ensino básico, fundamental e médio, com instalações e laboratórios, professores preparados, áreas esportivas melhor do que temos aqui. A exemplo da escola de Franca, fizemos 120 no Estado todo. Cada vez que a gente inaugura uma unidade, nos falamos: “Aqui, será a fábrica de bons brasileiros”. Através de uma escola de qualidade, fabricamos bons brasileiros.
O Sesi acaba de renovar o contra de patrocínio com o Franca Basquete por mais dois anos. Como o senhor avalia o retorno proporcionado por esta parceria?
Nós estamos superfelizes. Creio que essa parceria do Sesi com o basquete de Franca, que deu origem a esse novo time, é muito positiva. Pegamos toda a experiência, toda a tradição, toda a história do basquete de Franca, com a vontade, com a inspiração da indústria, com a vontade do Sesi de investir nas pessoas, de investir no esporte, de dar exemplo para milhões de crianças sobre a importância da prática do esporte, a vibração, a emoção dos torcedores, enfim. De lá para cá, tem tido muita emoção. Estamos ganhando muito mais do que, de vez em quando, tendo algumas pequenas derrotas. Mas as derrotas fazem com que a emoção e a garra aumentem. Trouxemos o Leandrinho, que foi uma surpresa importante. Digo que só tivemos coisas boas. Se tivesse que voltar para trás e começar tudo de novo, eu faria com tranquilidade, sem dúvida nenhuma. Todos que estão envolvidos com este projeto estão muito felizes. O resultado positivo não é bom só para Franca, mas para todo o País, pois reforçou o basquete brasileiro e forçou os adversários se reforçarem, como foi o caso do Flamengo com o Anderson Varejão. O Sesi Franca Basquete puxou para cima e está fazendo com que haja uma elevação do basquete de São Paulo e do Brasil. Estou muito feliz.
Como presidente da Fiesp, o senhor é um crítico do governo e afirma que os empresários querem ter sossego para trabalhar, pois sabem como fazer. Por que o governo atrapalha tanto o setor produtivo?
Porque os governos são pesados, incompetentes e enferrujados. Não acordaram ainda que a sociedade, o País, não são para servir o governo. O governo é para servir a sociedade. Quando você não tem eficiência, uma boa governança, seriedade na administração pública e quando há uma gastança, aquilo é um peso. A missão que teria que ter o governo, eles fazem mal feito. É um absurdo as pessoas não terem segurança. Minha visão de governo não é governo que interfira na economia, não é governo que queira ter empresa porque não entende nada de empresa. Tem que deixar para as pessoas desenvolverem o seu negócio, fazer por meio da iniciativa privada e fazer mover a economia. Os governos têm que cuidar do básico, naquilo que é sua missão, como segurança, educação, saúde.
O senhor pretende disputar as eleições para o governo do Estado em outubro?
Eu sou, sim, pré-candidato a governador do Estado pelo MDB com muito prazer, com muita honra. O futuro a Deus pertence e a decisão é do eleitor de São Paulo. Estarei à disposição sim. Os políticos estão num momento de imagem muito ruim. Me entristece muito quando ouço as pessoas dizerem que estão desanimadas com os políticos, que não estão a fim de votar esse ano. Nós não temos alternativa, a democracia se faz com política e a política é praticada por políticos.Este ano é muito importante. Teremos eleições gerais e será a oportunidade de nós promovermos mudança, escolhendo bem os nossos representantes. Ao invés das pessoas darem as costas para a política, deveriam se envolver mais e analisar com critério os candidatos. É hora de parar de pedir promessa futura e analisar a ficha de cada um. É preciso perguntar o que o candidato fez na vida até hoje. Se foi honesto a vida toda, pode ficar tranquilo que será honesto. Se foi desonesto, é difícil que se recupere. Apesar de todos criticarem, a política me encanta. O papa Francisco diz: “Os cristãos não podem se fazer de Pilatos, lavar as mãos. Devemos implicarmos na política porque a política é um das formas mais elevadas da caridade visto que procura o bem comum”. Isto é política verdadeira.
Como o senhor avalia o esforço que alguns ministros do Supremo Tribunal Federal têm feito para prender o Lula?
A avaliação que eu faço é que o Lula já está condenado. Nós não precisamos condená-lo dez vezes. Ele já está condenado. Deixa o Supremo terminar o trabalho dele.
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