PRISÃO DE AMIGOS DO PRESIDENTE PÕE EM RISCO SUA MANUTENÇÃO NO PLANALTO
As operações contra a corrupção no governo federal começam a atuar mais fortemente no Estado de São Paulo. A quinta-feira, véspera de feriado prolongado, tinha tudo para ser um típico dia de paralisia na política brasileira, mas a paz - leia-se folga - que reinaria em Brasília foi quebrada pela ação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal a quilômetros da capital do País, em cidades do interior e na capital São Paulo, além do Rio de Janeiro, mas que atingem diretamente o mandatário da República. Homens de confiança do presidente Michel Temer (MDB) foram parar atrás das grades.
A operação Skala prendeu o empresário e advogado José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer; o coronel João Batista Lima Filho, amigo do presidente há 40 anos; o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi (MDB), que foi presidente da Codesp (Companhia de Docas do Estado de São Paulo) e também é aliado de Temer; Milton Ortolan, assessor de Rossi; o empresário Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, que atua no Porto de Santos; e a empresária Celina Borges Torrealba Carpi, uma das donas do grupo Libra. A investigação apura irregularidades na edição do decreto dos portos que teria beneficiado as empresas, com a renovação de contratos. Ao autorizar as prisões, o ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), apontou indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Temer, o MDB e seus amigos de longa data teriam recebido propina das empresas beneficiadas pela edição do decreto.
No Palácio do Planalto, o temor é que as investigações avancem além do decreto. A preocupação é que cheguem a uma organização criminosa que atuaria há pelo menos 20 anos no setor portuário e que teria o próprio Temer como o centro das ações. A prisão de pessoas tão próximas ao presidente é sinal de que o cerco está se fechando cada vez mais e uma terceira denúncia da Procuradoria Geral da República contra o emedista torna-se iminente.
Diferentemente das outras duas vezes, em que se safou facilmente, a situação política do presidente é complemente desfavorável. Caso a PGR peça a investigação, a Câmara dos Deputados deve autorizá-la. Com o cenário eleitoral já se desenhando, os adversários começam a se expor. E um dos maiores aliados de Temer, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM), é um deles. Do papel de um dos principais aliados do Planalto, passou para adversário - não declarado -, ao lançar-se pré-candidato à Presidência da República. Nas duas denúncias de 2017, Maia foi fundamental nas articulações para barrá-las. Agora, numa provável terceira vez, sua disposição é uma incógnita. Neste cenário que nem o mais perspicaz roteirista de séries poderia escrever, Temer corre sérios riscos de ser afastado do Planalto, que seria ocupado pelo próprio Maia.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.