Acordo de sapateiros pode acabar na Justiça de novo


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Em assembleia realizada no último dia 15, na sede do sindicato da categoria, sapateiros rejeitaram proposta das indústrias
Em assembleia realizada no último dia 15, na sede do sindicato da categoria, sapateiros rejeitaram proposta das indústrias
 
As negociações que garantiriam o acordo salarial da maior categoria de trabalhadores de Franca estão paradas há mais de duas semana. O último encontro entre o Sindicato dos Sapateiros e o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) aconteceu no dia 13. De lá para cá, não houve mais conversas. 
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, como a categoria recusou em assembleia, no dia 15, a proposta de 1,81% de reajuste, caberia ao Sindifranca a convocação de uma nova rodada de negociação e apresentação de outra proposta. “Mas eles (os calçadistas) não nos procuraram. Não fizeram nenhuma outra proposta e, ao que tudo indica, não estão interessados em negociar. Querem mesmo que não tenhamos um acordo coletivo para que possam negociar individualmente com os trabalhadores e forçá-los a abrir mão de seus direitos”, disse Ronaldo.
 
O sindicalista afirmou que, na última reunião, os representantes da indústria já tinham afirmado que iriam procurar a Justiça. “Eles disseram que, se a gente não aceitasse a inflação (1,81%), não tinha mais o que negociar e que iriam para a Justiça. Acho que é isso que estão preparando.” 
 
O presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, nega essa versão. “Não falamos isso. Estamos abertos à negociação. Mas o Sindicato dos Sapateiros está irredutível. Quer os 12% de aumento, e isso não conseguiremos atender.”
 
Brigagão disse que não apresentou nenhuma nova proposta porque o sindicato já havia informado que não aceitaria menos que os 12%. “Se a condição para negociação for atender esse pedido, não temos mais como negociar. A situação econômica está difícil. Só no ano passado, deixamos de produzir 12 milhões de pares. É preciso bom senso.”
 
Ronaldo disse que, na próxima semana, deve procurar o Sindifranca. “Vamos ver se eles querem mesmo negociar. Vou pedir uma nova reunião.” Ele ainda afirmou que estuda a possibilidade de, como aconteceu no ano passado, tentar negociar diretamente com as empresas, indo de fábrica em fábrica. “Não descartamos também decretar estado de greve e iniciar paralisações pontuais e manifestações por melhores salários.”
 
Para ele, é possível avançar no percentual de aumento para a categoria. “Os patrões falam em redução de produção, mas as fábricas nunca fizeram tantas horas extras de trabalho. Me parece um contrassenso.”
 
O presidente do Sindicato dos Sapateiros disse que procurar a Justiça será sua última alternativa. 
 
Os sapateiros pedem 11,92% de reajuste para a recuperação das perdas salariais ao longo dos últimos anos e ainda aumento no abono escolar e na PLR (Participação nos Lucros e Resultados), além de cestas básicas. Em sua última proposta, o Sindifranca ofereceu apenas 1,81% de reajuste e pediu o congelamento de todas as demais clausulas econômicas. 

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