AMEAÇAS A MINISTRO DO Supremo E TIROS CONTRA ÔNIBUS DE LULA Atingem A TODOS
O ódio propagado pela internet, antes restrito a ataques pelas redes sociais, preocupantemente tomou as ruas do Brasil. Na última terça-feira, os brasileiros ficaram estarrecidos com a divulgação pelo próprio ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, que membros de sua família têm sofrido ameaças. No mesmo dia, dois ônibus da caravana do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) foram antigos por disparos de arma de fogo, em Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná. As duas criminosas ações são golpes duríssimos contra a democracia brasileira. Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a concordar com investigações da Justiça ou posições políticas desta ou daquela pessoa, mas a divergência de opiniões não habilita nenhum cidadão - se é que sejam cidadãos - a ameaçar ou agir contra a vida de nenhuma pessoa. Quando a motivação é política - tudo leva a crer ser essa a gênese dos dois casos -, os episódios tomam contornos ainda mais traumáticos. Os ataques contra Fachin e contra Lula são agressões contra a democracia brasileira.
Reservado, Fachin não deu detalhes dos ataques sofridos. Em entrevista à Globonews, foi breve: “Uma das preocupações que tenho não é só com julgamentos, mas também com a segurança de membros de minha família. Tenho tratado desse tema e de ameaças que têm sido dirigidas a membros de minha família. (...) Eu efetivamente ando preocupado com isso e esperando que não troquemos a fechadura de uma porta já arrombada também nesse tema”. É inadmissível que um membro da Suprema Corte de um país e sua família sejam castigados por sua atuação na defesa do rígido cumprimento das leis que regem a Nação.
Também é igualmente inaceitável o ataque a uma liderança política e seus asseclas, ou a quem quer que seja, por mais suja que seja sua ficha criminal. Lula e sua caravana são alvos de ataques desde que chegaram à região Sul do País. O ato petista chega a beirar uma afronta à população brasileira, que aguarda a prisão do ex-presidente da República, condenado a 12 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Apesar disso, Lula e seus companheiros de partido têm o direito de se manifestarem, alegarem inocência e defenderem seus ideais em qualquer canto do Brasil. A lei garante a eles e a nós o direito a manifestação. Essa mesma lei impõe a todos limites nos protestos.
O acirramento dos ânimos apenas enfraquece a já combalida democracia brasileira. Os crimes contra Fachin e Lula devem ser alvo de ágeis e criteriosas investigações pelos órgãos competentes. Quem discorda da atual legislação e dos discursos de Lula tem apenas uma arma e com ela, só com ela, é que deve agir: o voto.
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