Servidores municipais de Franca decretam estado de greve


| Tempo de leitura: 2 min
Boa parte dos servidores participou da assembleia vestidos de preto; alguns levaram cabines em protesto contra comissionados
Boa parte dos servidores participou da assembleia vestidos de preto; alguns levaram cabines em protesto contra comissionados
Os mais de 4,7 mil servidores municipais de Franca estão em estado de greve, etapa que antecede a paralisação das atividades. A decisão foi tomada na noite de ontem em uma assembleia que lotou o auditório do Sindicato dos Servidores Municipais. Mais de 200 pessoas estiveram presentes. Com a decretação, a partir de 72 horas, a qualquer momento, os servidores podem iniciar uma greve. 
 
Os servidores devem publicar uma carta à população explicando os motivos da decretação do estado de greve e colocarão cartazes em todas as repartições municipais, informando sobre a decisão. 
 
A categoria está em negociação salarial com a Prefeitura desde o início do mês, mas conseguiu poucos avanços. Eles pedem 20% de aumento (1,81% de reposição inflacionária, 8% de aumento real e 10,4% de reposição de perdas salariais) e um cartão alimentação de R$ 600, além de outros benefícios. Em sua última proposta, a Prefeitura ofereceu o reajuste de 1,81% e um aumento de R$ 10 no cartão alimentação. 
 
O presidente do Sindicato, Luís Fernando Nascimento, contestou números apresentados pelo prefeito Gilson de Souza (DEM) sobre os gastos do governo com o pagamento de sentenças judiciais, em ações trabalhistas movidas por servidores. “A Prefeitura vem dizendo que já gastou mais de R$ 12 milhões, mas isso não é verdade. Entramos com um pedido de informação no Portal da Transparência e a própria Prefeitura informou que foram pagos pouco mais de R$ 4 milhões. O prefeito mente. Ele está tentando jogar a população contra os servidores.”
 
O presidente ainda afirmou que os servidores no ano passado aceitaram dar um voto de confiança ao prefeito, quando prometeu que neste ano melhoraria a proposta de reajuste da categoria. “Ele nos decepcionou. Nos sentimos traídos.”
 
Nascimento também descartou qualquer possibilidade de negociar o pagamento das sentenças judiciais das férias. “Eu até estava disposto a colaborar mas, a partir do que ele fez com a gente, oferecendo essa proposta ridícula, eu desisti. Eu não vou assinar nenhum documento dividindo as sentenças de férias.”
 
Em seguida, os servidores votaram pela decretação do estado de greve, que tem 72 horas para começar, mas não tem prazo final. “Ele é como um aviso, um alerta. Pode durar um mês, dois ou três... Estaremos em negociação. Para que a greve seja decretada, haverá uma nova assembleia”, disse Nascimento.
 
Prefeitura
Ao fim da assembleia, a reportagem tentou contato com representantes da Prefeitura para repercutir a decisão dos servidores. Os secretários municipais de Negócios Jurídicos, Cleber Freitas dos Reis, e de Finanças, Tânia Bertholino, que fazem parte da comissão de negociação com os servidores, disseram que não poderiam se pronunciar. O secretário de Recursos Humanos Alberto Donha não atendeu ao celular. Já o coordenador de Comunicação, Saulo Almeida, estava participando da inauguração de uma creche e disse que responderia mais tarde, mas até o final desta edição não havia respondido.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários