O PLEITO ESTADUAL DESTE ANO RESERVA MUITAS SURPRESAS A NÓS, PAULISTAS
A partir do dia 7 de abril, os candidatos que possuem cargos públicos devem se afastar das funções para concorrer as eleições de outubro. Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deixará o comando do Palácio dos Bandeirantes, para disputar a presidência da República. Em seu lugar assume o vice Márcio França (PSB). O pessebista será candidato ao governo, mas mesmo assim ocupará a cadeira deixada pelo tucano. A lei eleitoral exige a desincompatibilização para evitar o uso da máquina pública nas campanhas. Mas no caso de França, como ocupa atualmente o cargo de vice, a legislação permite que ele tente a reeleição no cargo. Assim, o governador tampão usará o fato de que estará no comando para se fazer conhecido pelos paulistas.
De acordo com reportagem da agência de notícias Folhapress, Márcio França costuma dizer, sem nenhum constrangimento, que apenas 7% dos eleitores do Estado de São Paulo sabem quem ele é. A expectativa é que, como governador, sua popularidade aumente. Nas mais recentes pesquisas do Datafolha, ele possui 3% das intenções de voto. Para reconquistar o comando do Palácio dos Bandeirantes em outubro, França terá de vencer o desconhecimento da população sobre seu nome, além dos adversários, é claro.
Pela primeira vez, em mais de duas décadas, o PSDB chega rachado às eleições para o governo de São Paulo. A notícia seria boa para o atual vice-governador, se o motivo do racha não fosse uma medida tomada pelos tucanos justamente contra sua candidatura. Geraldo Alckmin, que também é presidente nacional do PSDB, pretendia que o partido não tivesse candidato nestas eleições, abrindo mão de uma hegemonia no comando do Estado desde 1995, quando Mário Covas assumiu o governo. A intenção de Alckmin era apoiar o seu vice. Mas o tucanato paulista não aceitou.
Após um polêmico sistema de prévias, o PSDB paulista escolheu João Doria, prefeito de São Paulo, como concorrente ao cargo de governador. A escolha do empresário foi marcada pelas acusações de seus oponentes, que chegaram a afirmar que as prévias teriam sido uma “fraude”. Descontentes dentro do ninho, tucanos devem acompanhar Alckmin - já afirmou que terá palanque duplo no Estado - na busca de votos por França. O pessebista, porém, terá de dividir seu principal cabo eleitoral com Doria.
Com a presença de dois candidatos oficiais do governo, o racha tucano deve se refletir no resultado do pleito. Luiz Marinho, do PT, que também estará na disputa, já aposta em um segundo turno. Acredita que uma das vagas será dele, como o candidato da oposição. Na outra, Doria, França ou nenhum dos dois. Paulo Skaf (MDB) pode superá-los. Sejam quais forem os nomes num provável segundo turno, o fato é que o pleito estadual reserva muitas surpresas a nós, paulistas.
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