PRESIDENTE da República AFIRMOU QUE ‘SERIA COVARDIA NÃO SER CANDIDATO’
Finalmente, o presidente Michel Temer (MDB) assumiu sua candidatura à reeleição. Alçado à presidência da República pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o velho político afirmou, em 2016, quando assumiu o Palácio do Planalto, que faria um mandato de transição, que promoveria as reformas necessárias para salvar a combalida economia brasileira e que, para ter sucesso em seu mandato, não disputaria a reeleição. Dois anos depois, o emedebista começou a preparar o terreno para a disputa das eleições presidenciais sem nunca assumir publicamente que seria candidato até que, no início desta semana, disse que não descartava a possibilidade. E agora, nessa sexta-feira, à revista Isto É, afirmou que “seria covardia não ser candidato”.
A candidatura de Michel Temer ao Planalto começou a ser escancarada no mês passado. Ao anunciar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o emedebista transformou o ato em um evento eleitoral. Transformou seu discurso em um comício. Não bastasse, convocou a formação de uma cadeia nacional de rádio e televisão, em pleno horário nobre, para repetir o mesmíssimo texto lido na hora do almoço. Temer espera que o sucesso da intervenção no Rio seja o sucesso de sua campanha. O problema é que, com um pouco mais de um mês do Governo Federal tomando conta da segurança carioca, nada mudou. E falta pouco para outubro.
Com a intervenção, além do apelo que a ação desperta, Temer se livrou de uma bandeira absolutamente impopular de seu governo, a reforma da Previdência. Com uma intervenção, a Constituição Federal não pode ser alterada. Foi a desculpa perfeita para o presidente ignorar de vez a promessa feita há dois anos e abandonar a ideia de um governo de transição para um governo que tentará a reeleição. “Já resgatamos o progresso e retiramos o país da pior recessão de nossa história. É hora de restabelecer a ordem”, disse, à época.
A economia é outro ponto que o presidente usará a seu favor. O fato de o Brasil voltar a crescer, apesar de infimamente, será repetido à exaustão por Temer e seus correligionários. Tanto é que a chapa deve ser completada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como vice. Os juros básicos da economia em patamares baixíssimos para a história recente do País serão outra bandeira. Basta convencer os brasileiros de que tudo está muito bem, com o desempregado com taxas recordes. A reforma trabalhista, por exemplo, não foi capaz nem de frear as demissões.
Para Temer ser reeleito, precisa superar a rejeição recorde que enfrenta. Precisa superar aliados como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), além dos demais candidatos desta que será uma das mais pulverizadas eleições já vista no Brasil.
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