NA ÂNSIA DE CONQUISTAR A OPINIÃO PÚBLICA, GOVERNO CRIA PROBLEMAS EVITÁVEIS
Na tentativa de criar um fato positivo, o governo do prefeito Gilson de Souza (DEM) acabou por criar um problema para a imagem da administração municipal. Anunciada como uma das ações pelo Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura programou para acontecer de segunda-feira até hoje a Semana da Mulher. Todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade funcionam em horário estendido exclusivamente para a realização de exames Papanicolau e mamografia, como forma de prevenção ao câncer de colo de útero e mama. A polêmica começou antes mesmo de a ação especial ter início. O que seria um grande mutirão em favor da saúde da mulher transformou-se em uma enxurrada de reclamações.
A Prefeitura convocou as mulheres a comparecerem às UBSs para os exames. Não precisava agendar horário. Muitas delas, desconfiadas, resolveram checar antes. Foram informadas que não haveria médicos, assim, consultas não seriam realizadas. O mutirão era apenas de exames, feitos por enfermeiras, com apoio de psicólogas na recepção das pacientes. Foi o início das reclamações, mesmo antes de a Semana da Mulher começar. A falta crônica de ginecologistas na rede pública de saúde tornou-se o alvo das queixas, jogando a segundo plano o caráter preventivo da ação. Dias antes, a Prefeitura havia anunciado a elaboração de um contrato emergencial com a Santa Casa para a criação do Ambulatório de Pré-Natal, para o atendimento de 500 gestantes por mês. Com o hospital, também foi firmado um mutirão de consultas ginecológicas, com mais 400 atendimentos mensais.
“Com o Ambulatório de Pré-natal, vamos nos aproximar de mil consultas por mês somando as duas parcerias. É um avanço importante, pois a procura por ginecologista é muito grande. Temos outros projetos que visam resolver o problema em definitivo, mas em longo prazo”, comemorou, à época, o secretário de Saúde, Rodolfo Moraes. A boa notícia, porém, foi engolida pelo malfadado mutirão de exames. Há relatos de que no segundo dia da Semana da Mulher, já não havia mais vagas. Procedimentos foram marcados para até daqui a quatro meses. Moraes insiste que o mutirão tem caráter preventivo, por isso, não há urgência. E que o número previsto de 1,5 mil a 2 mil exames será atingido até a noite de hoje (leia na Página 3A).
A pergunta que fica é por que criar uma expectativa, se já era sabido que a ação não seria suficiente para atender a toda a demanda reprimida, frustrando dezenas, centenas de mulheres? Na ânsia de conquistar a opinião pública, o governo anuncia ações e projetos - às vezes, ainda não finalizados; às vezes, sem capacidade para perfeita execução; às vezes, inoportunos - e acaba criando problemas completamente evitáveis.
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