Motorista que matou amigo diz que estava na contramão


| Tempo de leitura: 3 min
A moto do administrador de empresas Márcio José Soares, 39 anos, atingida pelo Ford Fiesta
A moto do administrador de empresas Márcio José Soares, 39 anos, atingida pelo Ford Fiesta
 
O pintor Marcos Antônio Valin, 44, que se envolveu no acidente que provocou a morte do administrador de empresas Márcio José Soares, 39, na noite de domingo, admitiu que foi o causador da batida ao trafegar pela contramão na rodovia Fábio Talarico. Ele passou o dia bebendo com a vítima, de quem era amigo próximo. Havia ido comprar mais cervejas e seguia para uma chácara de prostituição no momento em que colidiu o Ford Fiesta na Honda Bros. Márcio morreu a caminho do hospital e ele fugiu sem prestar socorro.
 
Essas informações que serão decisivas para embasar o inquérito policial aberto pelo delegado Alan Bazalha Lopes, responsável pelas investigações, constam de áudios gravados pelo autor e de entrevistas com testemunhas, que foram obtidos com exclusividade pelo repórter Cássio Freires, da rádio Difusora.
 
Logo após o acidente, o pintor encaminhou mensagem por meio de Whatsapp para os familiares da vítima, em que confessou o erro e pediu perdão. “Eu sinto muito, me perdoa, eu estou morrendo, não sei o que eu faço. Eu gostava muito dele. Tenho que pagar pelo o que eu fiz. Não tenho medo de ir preso, não. Vou contar toda a verdade. Eu entrei num pedacinho na contramão e bati de frente com ele.”
 
Juliana Peres Souza, irmã da vítima, confirmou à Difusora que o acusado era amigo da família há muitos anos e que ele havia bebido antes de dirigir. “Eles se reuniram na chácara da minha mãe por volta das 11 horas, para assar carne. Depois, meu irmão foi embora trabalhar e eles ficaram lá ainda. Ele estava embriagado. Todos estavam bebendo na chácara.”
 
Apesar de pedir perdão e de dizer que pretende pagar pelo o que fez, o pintor prometeu se apresentar à polícia na terça-feira, mas não apareceu. “Ele não se apresentou ainda. Fugiu do local e deixou meu irmão lá com o outro irmão machucado no chão, abandonou tudo e foi embora. Pretendo que ele assuma o erro e que Deus faça justiça. Meu irmão estava vindo do serviço e, por causa de uma imprudência dele, perdeu a vida. É muito difícil. Até agora ninguém acredita.”
 
Na manhã de ontem, os familiares da vítima foram à delegacia, entregaram os áudios e prestaram depoimento aos investigadores. O pintor prometeu dar sua versão hoje à tarde. Em princípio, o caso foi registrado como homicídio culposo, mas poder ser convertido para doloso, pois, além de trafegar pela contramão, ter bebido e não ter prestado socorro à vítima, ele estava com a CNH suspensa desde 2011.
 
 
‘Fiquei desesperado e saí correndo’
Júlio César Soares é a principal testemunha do acidente. Irmão da vítima, ele estava no banco do passageiro do carro dirigido pelo pintor. Ele contou detalhes do acidente, disse que acionou o socorro e falou como descobriu quem havia morrido.
 
O que foi que aconteceu?
Estávamos juntos na minha casa e resolvemos sair, porque havia acabado a cerveja. Fomos comprar num barzinho no Esmeralda. O Marcos (Antônio Valin) pegou umas latinhas e pegamos a rodovia. Ele entrou na contramão e aconteceu essa tragédia. Eu estava mexendo no telefone. Quando reparei que ele estava na contramão, eu falei para ele: “Marco, você está na contramão, Calango”. Ele falou: “Vou ataiar (sic) aqui, é rapidinho, é coisinha à toa”.
 
Para onde vocês estavam indo?
A gente estava indo para a “chacrinha”.
 
Antes estavam bebendo?
Estávamos bebendo, sim.
 
Como percebeu que a vítima era o seu irmão?
Após chamar o resgate, eu desci do veículo e fui correndo para ver a vítima. Ao chegar, vi que era meu irmão. Fiquei desesperado e saí correndo para pedir socorro.
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários