Natividade


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Em 25 de dezembro dois bilhões de pessoas, um número equivalente a quase o dobro dos seguidores do islamismo, a segunda maior religião do planeta, comemoram com alegria o nascimento de Jesus. É evidente que o Natal tem para os ocidentais, principalmente, uma enorme relevância religiosa, cultural e comercial. Aliás, o nascimento de Jesus é também comemorado por muitos outros seguidores de outras religiões, ou seja, por não cristãos.
 
Em razão dos fatos relacionados com o nascimento de Jesus se encontrarem, em alguns aspectos, desencontradas e até conflitantes, alguns detratores do Cristianismo, se apegam a isso para colocar em dúvida e questionar a veracidade da história de grande significado para os cristãos.
 
Como se sabe, a Natividade é retratada pelos evangelistas Mateus e Lucas, portanto dois dos quatros Evangelhos. No relato de Mateus o nascimento de Jesus tem uma abordagem bastante sintética. Porém Lucas já o descreve com bastante profundidade e na forma como os Cristãos o comemoraram. No Auto de Nascimento de Lucas, a Virgem Maria deu à luz na companhia de José, em Belém, em um estábulo, tendo os anjos anunciado o nascimento do Senhor prometido. Mas a visita dos Reis Magos do Oriente, que vieram orientados pela estrela, é fato que só é retratado por Mateus.
 
Para os estudiosos John Dominic Crossan e Marcus J. Borg, professores de religião nos EUA, na obra conjunta “O Primeiro Natal”, editora Nova Fronteira, com tradução de Vera Ribeiro, essas discrepâncias não têm a menor relevância, pois os adeptos do cristianismo precisam entender que os fatos estão descritos de forma simbólica, como uma parábola, pois o que realmente conta, é que Jesus trouxe uma grande revolução nos conceitos religiosos e sociais daquela época, pregando sempre a inclusão dos marginalizados e o amor e a caridade como bens maiores.
 
Considero absurdo se apegar a detalhes para colocar em dúvida o nascimento do Messias. Parece-me que os que assim agem, são como aqueles que, ao examinarem um belo quadro, ao invés de dar importância à qualidade dele, preocupam-se mais com a sua moldura.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca

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