Mudança de hábito forçada


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A crise hidríca obrigou a economizar de água; cuidado se mantém até hoje
A insegurança hídrica e a escassez vivida pelos Estados do Centro-Sul brasileiro causaram uma fenômeno positivo. Com o racionamento de água imposto pela seca no início desta década, o consumo apresentou uma queda de 15% - índice que se manteve mesmo após a crise no abastecimento. Os dados são relativos ao Estado de São Paulo, após 2014, e foram apresentados ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), no 8º Fórum Mundial da Água, realizado entre os dias 18 e 23 deste mês, em Brasília. O evento debate soluções para o futuro da água do planeta. O exemplo do Estado paulista mostra que a conscientização e o consumo responsável, mesmo que forçados, são parte da solução.
 
O Brasil possui 11% da água doce do mundo. Tamanho volume, porém, não é capaz de garantir o abastecimento de todos os lares do País. A distribuição desta água é irregular, concentrada, principalmente, na região Norte. A seca, restrita historicamente ao sertão nordestino, já é realidade no interior do Brasil e em grandes centros brasileiros. Em 2014, foi a Grande São Paulo. Desde o ano passado, Brasília e as cidades do entorno convivem com o racionamento. O aquecimento global, causado pela poluição desenfreada, é apontado como o responsável pela irregularidade nas chuvas. 
 
No mesmo 2014, a região de Franca viu de perto o drama causado pela escassez de água. Com a seca também na região do Lago de Furnas, no Sul de Minas, o reservatório caiu a níveis que colocavam em risco a geração de energia elétrica. Por ordem do ONS (Operador Nacional de Energia Elétrica), comportas das usinas hidrelétricas foram fechadas para garantir o mínimo de água em Furnas. O resultado foi o rebaixamento em 13 metros da represa da usina Marechal Mascarenhas de Moraes, que possui 250 quilômetros quadrados de área inundada, nos municípios mineiros de Cássia, Delfinópolis, Ibiraci e São João Batista do Glória. As consequências são sentidas até hoje. Além do prejuízo causado ao turismo e à produção de banana, principais atividades econômicas de Delfinópolis, por exemplo, muitos ranchos localizados em braços da represa ainda estão às margens de terra, que foi o que sobrou da represa. Segundo o ONS, na última segunda-feira, o volume útil do reservatório de Mascarenhas de Moraes era de 25,62%. Em dezembro de 2014, o nível chegou a 14,79%.
 
Os números mostram que a situação melhorou muito pouco, ainda está longe do mínimo razoável para nos despreocuparmos. Talvez nunca mais cheguemos a este patamar. Do Fórum Mundial da Água, devem sair medidas concretas e eficazes na garantia do direito a água à população do mundo todo. De nós, a vigilância constante no consumo consciente deste bem é a base da vida de todo o planeta.

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